Seth Godin, “We are all weird”

Capa de We Are All Weird, de Seth GodinDiz-se de Seth Godin que é um dos maiores nomes do Marketing na actualidade, uma das cabeças pensantes mais interessantes do seu tempo. Já sigo o seu blogue há alguns meses e sempre que posso (não com a frequência que desejava, é verdade) leio as suas curtas tiradas diárias.

Depois de ler este livro, eu suspeito que a verdadeira inteligência dele escapa, contudo, à maioria dos que o referem. Esta, como já é habitual em valores destes, revelar-se-á bastante depois da sua morte, quando, eventualmente, se começar a pensar segundo outra lógica.

Neste momento, continuamos a fazer tudo por automatismo, sem pensar  no “porquê” das coisas, aplicando estratégias desajustadas, cumprindo personagens que não sabemos quem são, debitando buzzwords a torto e a direito e sorrindo como se tudo estivesse bem, secretamente rezando que ninguém se aperceba do quanto não sabemos do que estamos a falar.

A parte caricata é que a maioria dos nossos interlocutores sofre exactamente do mesmo problema. E ninguém tem coragem de questionar as ideias de estimação que se instalam e propagam como pestes nestes meios intelectuais.

É contra esse pensamento estereotipado que o autor se insurge. E é por isso que ele se destaca acima da enchente dos gurus que tanto parecem corroer a essência das várias disciplinas empresariais da actualidade. E, como tal, o seu testemunho é valioso.

Pessoas como ele têm o condão de serem inspiradoras, ao observarem tendências, simplificando-as em modelos tão claros que transbordam o tema a que supostamente se reportam, sem no entanto se tornarem tão vagos que se tornem inaplicáveis ou abstractos.

Neste pequeno livro (cerca de 100 breves páginas), Seth Godin explora uma série de temas, todos aglutinados à volta da questão do desvio à norma.

A norma foi o padrão que deu consistência à nossa sociedade, estratégia usada pelos indivíduos (nossos antepassados) para dar resposta aos desafios do meio: juntos, fomos mais fortes – quanto mais juntos, alinhados, articulados, mais fortes. Um pensamento convergente corresponde a uma actuação mais eficiente.

Porém, a partir do momento que atingimos um determinado grau dessa mesma eficiência, começa-se a dar um movimento contrário de subversão à norma que fez surgir a abundância desejada: a riqueza conquistada permite-nos explorar a nossa própria definição do Eu e a sua correspondente noção de felicidade.

Ser rico não é acumular, mas sim, no fundo, poder escolher. Quem é rico pode ser o que quiser, experimentar o que desejar, ir onde quiser. E, nesse aspecto, ao contrário do que sentimos hoje, especialmente no actual contexto de crise, somos comparativamente mais livres do que qualquer um dos nossos antepassados.

Com o advento digital, ser único, diferente, específico, estranho (weird), questionar e até ridicularizar a norma deixou de significar ser-se solitário, como até então: passou a ser possível entrar em contacto com outros indivíduos que partilham das nossas inclinações, gerando-se comunidades muito unidas que definem a sua própria norma endógena.

O papel do marketer actual e futuro é deixar de falar para as pessoas, mas com elas; é abandonar o caminho fácil (e destinado a perecer) de trabalhar para o comportamento mediano – a que ninguém real, pelos vistos, corresponde – mas,por outro lado, escolher trabalhar apaixonada e sinceramente para um determinado nicho muito específico, inclusive estimulando o desvio que o caracteriza. É o Marketing de Nichos.

No caminho, este pequeno e fascinante documento consegue ser uma prova mordaz de um olhar atento sobre os fenómenos culturais como a política, a religião e a sociedade em geral e por isso é que disse que transcende o seu teórico âmbito. Se eliminarmos as poucas vezes que a palavra “marketing” aparece no documento, quase diríamos que é um manifesto em prol da individualidade, da liberdade e da criatividade humanas.

Ele é, aliás, o motor de um movimento que Godin iniciou, entretanto, em parceria com a Amazon, chamado The Domino Project, que tem, inclusive, uma hashtag (#weirddomino) que o identifica. O objectivo é levar ideias de alguns líderes de pensamento a pessoas interessadas, sob a forma, por exemplo, de pequenos manifestos como este.

“We are all weird” é uma delícia de livro que me deu muito prazer a ler e me fez perceber porque é que Seth Godin é uma referência tão citada.

Se gosta deste tema, aconselhamos:

Al & Laura Ries: capa do livro "A origem das marcas"Al Ries & Laura Ries

“A origem das marcas”

Casa das Letras

 

 

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