Stephen Barker & Rob Cole, “Gestão de Projecto”

Capa de "Gestão de Projecto", de Stephen Barker & Rob ColeQuem compra livros técnicos do sector empresarial sabe que existem sempre questões que temos de contrabalançar: sabemos que é difícil tratar qualquer um dos temas que mais nos interessam com a profundidade que ele necessitará sem entrar no campo da extensão literária, por um lado, mas por outro, temos pouco tempo para ler atentamente uma obra que seja densa.

Para piorar, não é sequer pelo tamanho da obra que nos podemos guiar, exclusivamente: ele há obras pequenas que são tão superficiais ou lugar-comum que damos por nós a lamentar a perda da vida das árvores que geraram o papel em que elas foram impressas e obras que se estendem de tal forma por todo o lado, que nos perguntamos até que ponto são relevantes. Ou são tão densas que sentimos que estamos a fazer uma nova licenciatura com elas, perdendo contantemente a fiada, de cada vez que regressamos à sua leitura, entre um afazer e outro.

E nem me façam falar dos gurusismos e dos livros que não vão dar a lado nenhum ou são cheios de verdades tão abstractas que não obstante não as podermos negar, também não tiramos nada de realmente objetivo delas.

O livro de que vos falo hoje é o resultado da experiência dos autores enquanto gestores de projectos. É efectivamente um pequeno guia, extremamente focado e esquemático, perfeito para introduzir ao tema quem desejar respostas rápidas, enquanto ao mesmo tempo aguça o apetite para quem quiser ir mais a fundo. Já há muito que sentia necessidade de ler um pouco mais sobre este assunto e confesso que fiquei bastante satisfeito com o livro.

É um pequeno texto que se encaixa em qualquer bolso, que discorre sem grandes tecnicismos e com uma afabilidade de leitura que é apanágio das pessoas práticas e pragmáticas, na minha opinião. E como entrega o que promete, consegue arranjar espaço para complementar o coração do tema com algumas informações relativamente diversas que compõem o ramalhate. Falo em particular o capítulo dedicado às reuniões, que consegue facilmente estabelecer uma matriz óptima para quem quiser usar apenas este capítulo para assegurar maior produtividade nas suas reuniões de trabalho.

Sim, porque “eficiência” e “eficácia” são transversalmente as bandeiras da obra: aproveitar ao máximo os recursos para obter a melhor produtividade destes e atingir os objectivos propostos. Aliás, os autores apostam numa abordagem focada nos objetivos (que passa, antes de mais, por perceber quais são os verdadeiros objectivos).

Desde o planeamento até à gestão de fiscos e problemas, passando pelo lado humano dos projectos, a gestão de equipas e a importância da gestão de qualidade, a obra elege o gestor de projectos como a pessoa que faz as coisas acontecerem e, por isso, é admirada por todos. O capítulo nono, sobre aprender com as lições aprendidas é justamente aquele que é o corolário da nobreza do trabalho deste profissionais imprescindíveis.

No entanto, esta não é uma obra para eleitos: com a ajuda das “Verdades caseiras” e das  “Dicas” espalhadas ao longo do livro e os pequenos grandes dramas (“Não devia acontecer a um gestor de projectos (mas aconteceu)…”) e até de pequenas «manhas» que qualquer profissional liberal deve logo aprender para, por um lado, defender os interesses do seu cliente e por outro, salvaguardar até o seu próprio desempenho e portfólio, o livro permanece sempre junto à realidade, sem se perder em grandes teorias.

No final de cada capítulo há sempre uma pequena súmula do que foi explorado nele o que, convenhamos, é algo que devia começar a fazer pare da estrutura básica dos nossos livros técnicos. É extremamente importante a forma como recapitula, relembra e estrutura aquilo que vamos lendo de modo fragmentado, entre os nossos dia-a-dias atribulados.

É por causa deste pragmatismo organizado que aconselho vivamente a obra: é uma obra útil não só no seu conteúdo, mas também na forma como se desenrola e estrutura. É uma obra feita a pensar no leitor e não no escritor – é uma obra que serve o propósito de quem a lê e não de quem a escreve ou edita.

Assim, deixo-vos mais esta pequena sugestão de sensivelmente 180 páginas da editora Actual – estou seguro que não vos irá desiludir. Quando a lerem, deixem-me a vossa opinião nos comentários. Boa leitura.

Se gosta deste tema, aconselhamos:

Capa de "O Pequeno Livro das grandes teorias de Gestão... e de como usá-las", de James McGrath & Bob Bates,James McGrath & Bob Bates

O pequeno grande livro das grandes teorias de gestão… e de como usá-las

Editora Centro Atlântico

 

Stephen R. Covey: capa do livro "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes"Stephen R. Covey

Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes

Editora Gradiva

 

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