Erik Qualman, “Socialnomics – como os media sociais estão a transformar o modo como vivemos e como fazemos negócios”

Capa de "Socialnomics", de Erik QualmanErik Qualman é um autor que merecerá para sempre o nosso respeito. Da mesma colecção do nosso já anteriormente coberto “Freakonomics – o estranho mundo da Economia“, “Socialnomics” permanecerá para a posteridade como um livro de referência dentro da área do Digital, pela coragem de ter sido um dos primeiros a abraçar toda a problemática associada ao tema e tentar não só criar uma teoria harmonizadora para abarcar toda a explosão de criatividade e interacções que a Web 2.0 gerou, como apontar as tendências do que seria o futuro – que hoje, é o nosso presente.

Como é óbvio e como sempre fazemos em todos os livros desta temática, faça-se o parentesis para referir que é óbvio que livros sobre o Digital – especialmente o Digital Social – rapidamente se tornam datados. O verificar deste fenómeno, não é mérito nenhum, claro – é um dado adquirido, mais referido por formalismo do que por necessidade.

Mas nem todos os livros sobre o Digital são iguais: há alguns para quem o tempo passa. E depois, há livros como o “Socialnomics”. Já nestes, o seu grande valor reside, antes de mais, em estes permitirem compreender, em retrospectiva, qual era a paisagem digital do momento, para começar.

Ler acerca do Facebook como “uma rede social que está em clara expansão” e sobre o MySpace como “a maior rede social do momento”, ou sentir a clara omissão de nomes incontornáveis da nossa actualidade digital (que se tornaram expressivos ou só surgiram posteriormente, como o Snapchat ou o Pinterest, por exemplo), é uma experiência de quase steam-punk, em que, nas palavras dos autores, quase que imaginamos um mundo paralelo, em que algumas das teorias deles (que hoje sabemos nunca se terem concretizado exactamente dessa maneira, porque surgiram, entretanto, outros factores) se cumprem e determinados gigantes da actualidade nunca chegam a aparecer e outras formas de vida digital se tornaram, entretanto, a regra.

A outra vantagem, ainda no que estes livros têm de datado, reside na possibilidade de perspectivarmos o mundo que realmente temos hoje. O panorama digital que hoje conhecemos, ainda que nos pareça já tão quotidiano e intuitivo, não surgiu do nada – e ler estes livros, tem o condão de permitir-nos ver como pequenas boas ideias ganharam a actual dimensão, e valores extremamente seguros, tornaram-se, entretanto, obsoletos, contra todas as expectativas (e como, na altura, pelos vistos, algumas grandes promessas nos passaram ao lado, sem que tivessemos sequer sabido da sua existência, quanto mais, do seu fim).

É igualmente interessante, para pessoas da minha idade, voltar a ouvir falar de certas empresas – que, entretanto, se fundiram – como marcas independentes, se não concorrentes; como determinadas parecerias acabariam por ser capitais; como pequenos pormenores deram origem a macrotendências insuspeitas – e como tudo era tão mais difícil, primário, amador, na altura.

Essa é a vantagem dos bons livros: evoluem connosco, ganhando novo valor, consoante o tempo muda, mesmo que seja pelo contrariar das suas teses. O que antes era pura futurologia, é hoje uma lição de humildade, do quão pouco ou nada percebemos ainda de tudo isto do Digital [brevement, link para a minha conferência na FLUP sobre o tema “Novas Sociedades Digitais”] – e ajuda a desmistificar certas buzzwords e modinhas de gurus.

Mas não se engane o leitor a pensar que o livro é um desfiar de fantasias medievais sobre o que será o futuro do digital: a perspicácia de Qualman permitiu-lhe cunhar – ou, pelo menos, celebrizar – uma série de expressões que sintetizam muito do que ainda hoje imutavelmente é ser-se digital, como “O que acontece em Vegas fica no Youtube” ou “É uma economia dirigida pelas pessoas, estúpido”.

Um livro destes, escrito por alguém da geração Milénio, um nativo do Digital – de quem ele já fala com bastante qualidade de análise, na altura – seria escrito noutro tom, certamente. Efectivamente, sentimos que há qualquer coisa de Geração X a observar, entre fascinado e assustado, todo este mundo que surgia à nossa frente – uma quase visão utópica e supersticiosa desse admirável mundo novo.

Mas, diga-se, é um livro escrito por um Geração X com uma capacidade de sair de si mesmo – se lhe perdoarmos todo o fascínio recorrente pela campanha digital de Barak Obama (se bem que, por sua vez, se se perceba e facilmente se lhe perdoe o entusiasmo, dada a proximidade do acontecimento da redacção do livro).

No que isso tem de tacanho, datado e naturalmente limitado, revela-se um sentimento carinhoso, perante esse fascínio esmagado por uma realidade que se sente que efectivamente nos ultrapassa, esse achar que tudo é possível e que a net seria o último resquício da liberdade individual – ao mesmo tempo que se defende que a net é o fim de todo o espaço privado – e que tornam este livro uma obra que deverá ser lida por todos, mas mesmo todos aqueles que desejam perceber o que o digital ainda hoje é.

Não pelo que diz nele – que sim, tem bastante valor mas não é tudo – mas sobretudo por tudo aquilo que é omisso, por tudo aquilo de que Qualman falaria hoje, se hoje tivesse escrito livro. Deixo-vos uma conferência dele no TEDxNashville, com algumas dicas sobre presença digital. Boa leitura e bom vídeo.

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Capa de "Como ter sucesso no LinkedIn", de Rui Pedro Caramez

Rui Pedro Caramez

Como ter sucesso no LinkedIn

Pactor

 

 

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Capa do livro

Vasco Marques

Mkt Digital 360

Actual Editora

 

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