Andrew Keen, “O culto do amadorismo – Como a Internet dos dias de hoje está a matar a nossa cultura”

Capa do livro "O culto do amadorismo - como a internet dos dias de hoje esta a matar a nossa cultura" de Andrew KeenO livro de que venho-vos falar hoje não é um livro fácil. Não que seja propriamente difícil de entender: não é uma obra de um Sartre ou de um Adorno. A mensagem é até bastante directa. A questão é que é um livro de confronto. Como o Abrupto de Pacheco Pereira indicou, no post que fez na altura, é um livro “panfletário” e sim, por vezes, algo “simplista”.

Para muitos de nós que estão agora a abraçar o meio digital de coração aberto, aparecer alguém que simplesmente critica abertamente tudo aquilo que estamos ainda agora a aprender a integrar nas nossas vidas e a valorizar (livre acesso e circulação de conteúdos, emponderamento dos ilustres desconhecidos, etc) soa-nos, por vezes, à voz do chato que decidi estragar a festa a toda a gente, porque ele próprio não gosta de estar ali.

No entanto, é impossível não ter, antes de mais, uma certa admiração pela coragem do autor, por tomar a posição muito pouco fácil de defrontar o mundo das ideias da maioria, insurgindo-se perante o carneirismo dominante, que, por vezes, é tão criminoso como a atitude dele próprio, que roça o fundamentalismo.

Não obstante ele entrar em contradições gritantes, como criticar o conhecimento que está disponível na maioria da web, mas depois fundamentar a sua tese citando extensamente artigos da mesma, e o livro já estar algo desfasado do nosso tempo – um ano, em internet, pode significar, como sabemos, profundas mudanças e o livro é de 2007 – existem questões de várias ordens, como a ética, os direitos de autoria, a segurança e a privacidade, que permanecem totalmente actuais.

E, se em certos aspectos já avançamos bastante, no sentido de colectivamente lutarmos por uma maior qualidade da web em que navegamos, por outro, é bom termos consciência que ainda há muito para ser feito. E é preciso dar voz a pessoas como Andrew Keen que, na sua visão quase dogmática, por vezes, vão lançando a consciência sobre aspectos que realmente merecem atenção, não obstante todo o ruído – até algo puritano – que parece recobrir alguma da sua voluntariedade.

Confesso que houve muitos momentos em que me apeteceu mandar um mail ao autor – o livro começa, aliás, com o próprio a retractar-se de algumas das suas posições inicialmente mais extremistas – até chegar ao ponto de quase o querer largar, por me soar a um discurso reaccionário da parte de um patriota Americano que, ainda que tenha estado presente na net há mais tempo que muitos de nós, simplesmente não consegue acompanhar esta excitante nova era. No entanto, esse era o caminho mais fácil e preferi ler o livro até ao fim e tentar aprender com ele. E, sinceramente, não dou o meu tempo por totalmente perdido.

Não é um livro perfeito, sem dúvida, mas é uma das poucas tentativas no género. Há ainda muito para ser questionado e confrontado na internet – nem tudo é um mar de rosas, como sabemos – mas sem alguém dar os primeiros passos, não será de todo possível sequer começar a discussão. O mérito de Keen é esse, justamente, antes de mais.

O leitor – leu? O que achou? Deixe-me a sua opinião. Deixo-vos o vídeo da minha conferência na FLUP, “Novas Sociedades Digitais”, onde eu próprio abordo algumas questões.

Se gosta deste tema, aconselhamos:

Pedro Fonseca: capa do livro "Blogues proibidos"Pedro Fonseca

“Blogues proibidos”

Centro Atlântico.pt

 

 

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