Webcast Gabriel Augusto: Conteúdos visuais em social media (Início)

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No passado dia 03 de Março assisti ao webcast promovido pela Flag, uma conhecida agente de formação. O tema foi “Conteúdos visuais em social media” e o orador escolhido foi o actual director da Flag, justamente, Gabriel Augusto.

O Gabriel Augusto começou o webcast – o seu primeiro, diga-se de passagem – por falar-nos um pouco da sua própria experiência profissional. Sendo natural de Macau, ele reside em Portugal há quinze anos. Veio para cá para estudar Medicina, mas rapidamente percebeu que o seu chamamento era outro. Actualmente acumula dois graus académicos: um em Design de Comunicação e outro, posterior, em Gestão de Marketing.

Gabriel Augusto, Flago, formador, director, membro da Rumos

Justamente alavancado nestas três correntes do saber, o orador conseguiu trazer-nos alguma frescura a um tema que parece, por vezes, não ter nada de novo a ser abordado. Muito pelo contrário, Gabriel Augusto trouxe-nos uma perspectiva de síntese que fundamenta com dados científicos muito do «achismo» que por vezes se ouve amiúde nas conferências a que assistimos.

O webcast foi dividido em quatro temas principais: como funciona a percepção visual; o que são os conteúdos visuais; como tirar proveito dos conteúdos visuais na comunicação; e finalmente, como se aplicam em social media. Nesta recensão crítica vamos concentrar-nos justamente na primeira parte, que nos parece a mais original, face a conferências ou webcasts semelhantes.

Começando justamente pela biologia da percepção, ele explicou-nos alguns dados interessantes: pelos vistos, 20% do oxigénio que inspiramos é orientado para o cérebro. Tendo em conta o tamanho relativo desse órgão, isso já nos dá alguma ideia da importância com que ele é tomado pela máquina.

Cérebro: a azul escuro, a massa cinzenta; a azul claro/branco, a massa branca

Cérebro: a azul escuro, a massa cinzenta; a azul claro/branco, a massa branca

Desses 20%, por sua vez, 95% desse mesmo oxigénio é destinado à massa cinzenta, que executa a coordenação de funções variadíssimas e complexas, como a percepção, a memória, a fala, a tomada de decisão, o auto-controlo, etc. Portanto, concluímos que uma grande parte do oxigénio que é desviado para o cérebro é-o justamente para estas funções, o que nos explica a importância capital que estas funções têm para um organismo como o humano.

Interessante é igualmente perceber que de toda a massa cinzenta, 30% desses neurónios da massa cinzenta são dedicados à visão, ao passo que ao tacto e à audição, são dedicados respectivamente 8 e 3%. Isto esclarece-nos, por seu lado, a importância que a visão tem enquanto processo cognitivo, o que explica a preponderância deste sentido sobre os restantes: tendo em conta que evoluímos adaptando-nos segundo as necessidades que tempos, existem mais recursos alocados ao mesmo porque biologicamente isso será mais interessante para nós.

ligacao-olhos-cerebro

Aliás, 75% do esforço de processamento sensorial é justamente dedicado à visão. E aqui, estamos a incorporar a informação verbal (texto) e a não-verbal (imagem). Sobre este ponto, Gabriel Augusto lembra-nos que o texto tem um processamento sequencial: é preciso captar o todo para que cada parte (cada palavra) obtenha o seu real significado, pois primeiro temos de ler e depois, ainda por cima, interpretar, à luz desse contexto total, o que acabamos de ler; já a imagem tem caracteristicamente um processamento simultâneo: no momento que olhos, grosso modo, conseguimos logo obter uma ideia geral do que estamos a ver, em termos de cor, forma e movimento.

Isto explica claramente porque é que processamos imagens 60 000 vezes mais rápido do que texto – e o porquê de, por exemplo, uma imagem numa rede social ter tipicamente mais engagement que um update de status ou um qualquer outro texto.

Mais além, o texto, por causa da forma como é lido e interpretado, relaciona-se mais facilmente com a memória de curto prazo, enquanto a imagem, pelas mesmas razões, com a de longo prazo.

Logo da Coca Cola sem lettering

Daqui se retira facilmente a noção que uma marca deve associar-se e comunicar mais depressa através de imagens, do que de texto, pois estas mantêm a marca mais tempo presente, o que explica o poder dos logótipos, por exemplo. Aliás, Gabriel Augusto conduz um pequeno exercício com a sua assistência, pedindo-nos para identificar uma marca através de um logótipo a que foi retirado o lettering – um experimento levado a cabo com o logótipo da Coca-cola, que teve bastante sucesso.

Avançando sobre a orgânica da percepção, o orador prosseguiu lembrando-nos que 99% do que percepcionamos é rapidamente descartado por nós. É um processo automático, essencial à nossa sobrevivência. De outro modo, estaríamos soterrados em informação de importância variável. O que nos obriga a lembrar uma regra que é transversal a toda a criação de conteúdo: uma mensagem tem de se destacar, ser diferente e relevante, para captar, no meio do ruído todo, a atenção do interlocutor.

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