XXIV ISCULTURAP, 5 de Novembro (Início)

Logótipo do XXIV ISCULTURAP

Tive o prazer de estar presente em mais uma edição do ISCULTURAP – a semana cultural do ISCAP, em que a instituição dá a conhecer a cultura empresarial do prisma de cada um dos seus cursos – a vigésima-quarta, para ser mais preciso.

A presente cobertura de evento debruça-se particularmente sobre a Terça-feira, dia 5, o segundo dia do evento, dedicado conjuntamente aos cursos de Comunicação Empresarial e Comércio Internacional. Foi o dia mais preenchido, mas também o que registou maior afluência.

As fotos e a cobertura são da minha responsabilidade e de Patrício Vieira.

O dia começou, por isso, logo cerca das 11 horas, com a primeira conferência, de Ricardo Torres, director criativo da Sardinha, uma pequena e simpática agência de comunicação do Porto.

Ricardo Torres, director criativo da Sardinha Comunicação

Ricardo salientou a tarefa difícil das empresas nos dias de hoje: há crise, os mercados estão extremamente competitivos, não há compradores suficientes para tanta oferta, as próprias ferramentas de marketing estão cada vez mais democratizadas, havendo acesso generalizado às mesmas e a (in)formação sobre elas. O cenário não está fácil, como muito de vós devem saber, por isso, não obstante o produto ser a base de tudo, já não basta que ele seja bom. É preciso comunicar eficaz e eficientemente, porém, também aqui existe um problema de massificação: as pessoas estão fartas e a curva de resposta decaiu consideravelmente. Logo, a aposta passa sempre pela criatividade como factor estratégico diferenciador e como chave de resolução destes desafios empresariais.

Logótipo da Sardinha Comunicação

Numa época em que a criatividade se tornou mais uma buzzword, Ricardo Torres lembrou-nos de algo que é essencial: mais do que se dizer criativo, o importante é sê-lo e mostrá-lo. Com uma postura extremamente terra-a-terra, franca e despretensiosa, Ricardo deu-nos a conhecer algumas das campanhas em que a Sardinha esteve envolvida, fosse para marcas maiores (ANA e Mar Shopping) ou mais pequenas, como a Naturar e a Vinha Paz.

Ficamos a saber como a Sardinha criou um outdoor interactivo que reagia a perguntas feitas pelos clientes do Mar Shopping, sugerindo-lhes lojas do espaço para responder às suas necessidades ou como a Vinha Paz presenteou os visitantes de uma feira de produtores na Suiça com uma edição de luxo, numerada de 1 a 100, que incluía um magnífico livro a explicar a história e o contexto da empresa familiar, que encerrava, no fim, uma chave feita à mão, que era um saca-rolhas.

Vinha Paz Sardinha

Certos pedidos são realmente desafiantes, mas isso não assusta a Sardinha: ficamos a saber como a ANA, que queria lançar um portal de informação extremamente técnica para uma lista específica de pessoas, enviou um disco gravado a laser com informação que só podia ser lida através de um aparelhómetro (cedido no kit que era personalizado ao ponto de ter o nome do receptor) semelhante a um microscópio, para realçar o facto que através do dito portal, os destinatários teriam acesso a informação privilegiada e exclusiva.

Também no mercado B2B e assentando mais uma vez na tecnologia laser e na personalização, descobrimos como se pode mostrar o valor que uma marca branca como a Naturar (que produz vegetais) pode dar às marcas que fornece. Nos dias de hoje, é fácil saber quem são os decisores em cada empresa que se pretende angariar.

Sabendo de antemão esta informação, a Sardinha criou uma peça de comunicação de marketing que era tão simplesmente uma caixa branca com uma cenoura com o nome da pessoa que podia contratar a Naturar como fornecedor gravado a laser. São ideias simples, mas de tal modo eficazes, por serem disruptivas e criativas, que, por exemplo, neste caso, o resultado foi 100% de entrevistas marcadas.

Todas estas ideias foram premiadas e os orçamentos variaram entre o «simpático» e o… preço de amigo, o que demonstra que, não obstante o dinheiro abrir portas para criações mais complexas, a simplicidade ainda é a melhor forma de sofisticação. E a Sardinha sabe-o bem.

Não queremos dizer com isto que tudo são rosas. Muitas ideias ficam na gaveta, pois passam por uma sequência de crivos, antes de serem definitivamente aprovadas. Portanto, o mercado da criatividade é extremamente exigente, pois não se está a falar de criatividade-pela-criatividade, mas como algo pragmático que se aplica às necessidades reais de um cliente concreto.

Route Lab Sardinha

Essa é uma das razões que levam a Sardinha a ter aberto uma loja no renovado Mercado do Bom Sucesso: a simpática lojinha de sardinhas gourmet coleccionáveis – onde também se pode comprar merchandise da marca, como t-shirts semelhantes à que Ricardo envergava na conferência – pretende ser uma espécie de mostruário do potencial da agência de comunicação e laboratório de experiências da mesma e, ainda que até funcione pontualmente como local de reunião, pretende ser um conceito paralelo.

Ricardo não se imiscuiu à auto-crítica: dando o exemplo da marca pessoal, ele mostrou-nos o quanto – em parte devido à falta de tempo, com a agência e a loja – o seu LinkedIn se encontra desactualizado, com uma foto a preto-e-branco, pouco apelativa.

Também nem sempre se consegue o que se quer, mas o mais importante é tirar o lado positivo de cada situação. E Ricardo, que tem uma formação que estava inicialmente voltada para a comunicação social, fala-nos de como o primeiro trabalho da Sardinha, que se traduziu num disco em vinil, com direito a gira-discos incluído e a participação de Fernando Alvim, que replicava a capa do “Please, Please me” dos Beatles. No registo, Alvim comparava a então desconhecida Sardinha aos fab four, eles próprios considerados um projecto sem qualquer futuro pelos primeiros A&R que os ouviram.

Campanha de auto-promoção da Sardinha baseada no disco "Please, please me" dos Beatles

A estratégia valeu-lhes pouco mais que um telefonema simpático, mas Ricardo não deixa de salientar o quanto ela foi importante para lançar uma marca num mercado extremamente volátil, populacionado e competitivo.

Sardinha Mercado do Bom Sucesso

A conferência seguinte foi dedicada ao curso de Comércio Internacional, com a presença de António Cunha, do Grupo Banco Popular, que nos demonstrou a importância dos bancos neste contexto.

António Cunha, do Banco Popular

No fim desta, fomos todos para o almoço, regressando às 14 horas para um entusiasmante workshop dedicado ao tema “Como fazer um pitch”.

Continuar a ler | Fim

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