XXIV ISCULTURAP, 5 de Novembro (Fim)

Antes da conferência de Rafael, Pedro Quelhas Brito, Professor auxilar e Director do mestrado em Gestão Comercial na FEP (Faculdade de Economia do Porto) e autor do livro “Promoções de vendas e comunicação do preço”, veio falar-nos de “Comunicação na gestão de topo”. Esta conferência, como não poderia deixar de ser, ao contrário da anterior, foi integrada no conjunto de conferências do curso de Comunicação Empresarial.

Logótipo da Faculdade de Economia do Porto (FEP)

O primeiro ponto que o Professor quis demonstrar é aquilo que se chama o 1º Axioma da Comunicação: “não é possível não comunicar”. Mais importante ainda, que tudo comunica, mesmo das formas mais insuspeitas. O Professor fez questão de referir o que Luís Simões já tinha dito: que o conteúdo é tão importante quanto a forma. E, para demonstrar a importância do impacto que a forma pode ter, contou a seguinte história:

Pegaram num homem, um pedinte e alteraram-lhe o visual para um aspecto sofisticado. Deram-lhe uma mala e fizeram-no andar todos os dias pelos mesmos caminhos, através dos mesmos quarteirões. As pessoas estranhavam ver aquele indivíduo misterioso, tão bem vestido, com uma mala, que ninguém conhecia de lado nenhum e que não falava com ninguém, percorrendo sempre o mesmo caminho. Mesmo quando interpelado, o homem não respondia a ninguém. Não sabendo o que pensar e não conseguindo obter respostas nem do próprio, decidiram segui-lo. Acabaram por ir ter a um largo onde estava uma banda a tocar. Em frente a esta, estava um museu. À porta, o seu director, que convidava as pessoas a entrar e a conhecer o espaço. Tudo aquilo havia sido uma estratégia para chamar a atenção as pessoas e, intrigando-as, chamá-las ao museu.

Avançando daqui, Pedro Quelhas Brito explana-se numa elencagem exaustiva de exemplos dos múltiplos instrumentos ao serviço da gestão de topo, detendo-se em relação a algumas das particularidades a reter em relação a cada um deles: desde o mix de Comunicação (que envolve a Publicidade, a Promoção de venda, as Relações públicas e a Força-de-vendas) até aos elementos mas instrumentais, como a organização de eventos e os cartões de fidelização.

Pedro Quelhas Brito discorre ainda sobre o papel do Design enquanto elemento de comunicação de um conceito, o poder influenciador do Lobbying, o desafio do novo Web Marketing e dos novos media, terminando com o papel central da Comunicação Interna.

Pedro Quelhas Brito, Faculdade de Economia do Porto (FEP)

Pedro Quelhas Brito deteve-se um pouco mais sobre os chamados pontos de contacto, estimulando a que se faça uma desdobragem da marca sob o prisma dos vários sentidos (vias de entrada para a psique do espectador), não deixando de referir a importância da mensagem ser um todo consistente e alertando para a preponderância da visão sobre os restantes sentidos humanos.

Rafael Pires, da Startup Pirates

Rafael Pires da Startup Pirates explica-nos o Canvas Business Model Generation

A importância de elementos-chave como a gestão de crise, a negociação constante com os media ou até a marca como fonte de conteúdo para os media, as preocupações actuais das empresas cada vez mais voltadas para a comunicação em contexto internacional e os conflitos de protocolo, problemáticas como o direito da comunicação (e a ética comunicacional) e a forma como se podem desenvolver métricas para medir o impacto das acções de comunicação foram alguns dos temas em que o Professor ainda se debruçou. Para finalizar, o Professor alertou sobre a centralidade de integrar os novos desafios da Globalização e da Digitalização na gestão das marcas.

De seguida, tivemos a participação de Rafael Pires, da Start-up Pirates, como dissemos. Rafael veio explicar-nos o modelo Canvas da Business Model Generation em que se baseia, como forma de analisar a viabilidade de um determinado negócio.

Canvas de Business Model Generation

Como se pode ver, o modelo organiza, de forma bastante clara, as várias áreas que um negócio deve considerar. Rafael detém-se sobre cada uma delas, focando o que é mais importante considerar para cada caso, construindo este esquema passo a passo, começando na Value Propositon e acrescentando os vários módulos sucessivamente. Foi uma conferência deveras inspirada, bem estruturada e em que o conferencista soube lidar particularmente bem com as intervenções do público.

Tivemos depois o chamado dinner brake (uma espécie de coffee brake, mas muito mais tardio). Após esta pausa, ainda decorreram duas conferências, já da parte da noite: César Hallak, da We.do.best, num tom descontraído (que se exigia, para um dia que foi extremamente longo em conferências), falou dos estudos de Geert Hofstede sobre o profiling comparativo das culturas nacionais e como é importante ter em consideração a natureza das culturas com que pretendemos interagir. Finalmente, focou-se nos problemas da ambiguidade comunicativa quando uma mesma mensagem é transposta para diferentes ambientes culturais.

César Hallak, da We.Do.Best

César Hallak, extremamente descontraído, brinca com o público

A última conferência, da responsabilidade de Rui Mascarenhas (TrigLabs), foi extremamente interessante. Porém, foi a uma hora em que toda a gente já estava extremamente exausta. Também penso que houve algum erro de comunicação, pois com um título como “Comércio Electrónico”, penso que toda a gente se sentiu um pouco baralhada com a apresentação exímia do palestrante.

Rui Mascarenhas, da Triglabs

O que Rui Mascarenhas veio ali trazer-nos foi um insight raro sobre a forma como quem cria aplicações – a maior parte das vezes, para marketers – necessita de informação que lhe é específica.

Começando a conferência com uma introdução de marketing – que, por incrível que pareça, falta a maior parte das vezes aos empresários com que ele se depara (algo que em nada me supreende) – Rui tentou dar-nos uma visão alternativa de um negócio, demonstrando o quanto a organização e a sistematização podem facilitar uma migração mais eficiente para o mundo digital.

Senti que a maioria das pessoas não percebeu a mensagem. Eu, da minha parte, que já interagi com pessoas da área, compreendi bastante bem o que ele queria dizer e tenho alguma pena que a sua conferência tenha sido algo técnica demais para a maioria, pelo que pude perceber em conversa posterior.

A verdade é que aquilo que ele diz é realmente importante: começar no digital de foram organizada e bem pensada facilita todo o trabalho subsequente. Espero que Rui Mascarenhas tenha, no entanto, gostado da experiência. A área dele é uma área com que cada vez mais teremos de agir, portanto, estejam atentos.

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