Betatalk October, 16 – Edifício AXA, Porto (fim)

E, para terminar, os dois convidados finais, que apareceram após o coffee-brake e que não estavam originalmente anunciados, mas que foram divulgados, por exemplo, no evento de Facebook, uns dias antes da tertúlia: os irmãos Miguel e Ricardo Frade.

Miguel Frade, da Startup Pirates

Miguel Frade, dos dois, o mais novo, veio falar-nos de Empreendedorismo e da Startup Pirates, uma organização sem fins lucrativos que apoia novas empresas. De intervenção mais curta, Miguel salientou uma mensagem que é constantemente repetida sempre que se fala nestas temáticas: é bom sonhar, desde que se seja capaz de criar objectivos e ter foco. Perpassando a tudo isto, Miguel Frade salientou a importância do positivismo contra os momentos adversos com que todos os empresários, particularmente os que estão a começar, devem contar.

Logótipo da Startup Pirates Porto

Citando um amigo seu que é palhaço e que tem um número em que «perde» uma perna e diz “olha que bom: agora, de um par de calças faço duas”, Miguel sublinha o lado bom das pessoas, dizendo que “há realmente quem queira ajudar” e que por muito que se fale que “este país não tem oportunidades”, o que ele verifica é que, “muitas vezes, estamos é cercados das pessoas erradas”. E, por isso,

Questionado sobre a iniciativa Start-up Pirates, ele orgulhosamente referiu que os três projectos vencedores da edição do ano passado (1º e 2ª lugar, mais a menção honrosa) estão prestes a arrancar, não deixando de olhar para o futuro, para novas edições do projecto.

Ricardo Frade, Pé Descalço

Já o irmão veio apresentar-nos uma experiência de vida sobre a forma de livro. Ricardo Frade decidiu, há algum tempo atrás, meter-se num avião rumo à Suécia, sem mais recursos do que leite em pó e uma máquina fotográfica, tentando pôr em prática a sua teoria de auto-gestão, inspirada na sua formação (ele é analista financeiro e também faz coaching dentro da mesma área), para criar um livro sobre a temática, para consumo genérico do público, mas, por isso mesmo, sem a carga pesada de certos livros demasiado técnicos, como podem chegar a ser, dentro do estilo.

Ricardo Frade denunciou um outro aspecto extremamente característico da nossa cultura: a nossa capacidade natural para encontrarmos e caracterizarmos bem os problemas, mas a nossa obsessão por eles, que nos toldam o raciocínio ao ponto de não procurarmos nenhuma solução, apaixonados pela contemplação do que nos aflige. Ele enfatizou a necessidade de simplificarmos as questões, não confundindo os nossos meios pelos nossos fins, criando uma meta final, que por si mesma determinará, organicamente os passos que permitem chegar até ela.

Pé Descalço

Deliciando-nos com uma experiência humana profundamente enriquecedora, ele contou-nos os pontos principais da sua viagem pela Europa, principalmente acerca das suas primeiras dificuldades – isto é, aquela «desprogramação» da maneira de pensar a que estamos submetidos habitualmente, que nos torna mais dependentes e limitados do que o que imaginamos.

Ricardo falou-nos da forma como, com simplicidade, explicou às várias pessoas que encontrou no caminho, o seu plano e o modo como elas foram reagindo. Falou-nos da boa vontade humana, que ainda existe e com a qual ele contou, mesmo em momentos profundamente desagradáveis, como uma noite em que finalmente conseguiu dormir numa arrecadação em Paris, depois de 17 negativas.

Ricardo falou-nos de como se propôs trabalhar por comida e como as pessoas muitas vezes lhe recusavam trabalho, mas não lhe recusavam comida. Falou apaixonadamente do quanto conseguiu valorizar o que para nós é tão banal, como um prato de dobrada comido dois dias depois de estar cheio de fome, que recorda como a melhor coisa que alguma vez já comeu – ele, que nem gosta de dobrada.

Falou do estado de desespero a que chegou, tremendo como nunca tinha tremido, sofrendo pela viagem e pela falta de descanso e das negas sucessivas, que o fizeram falar alto, consigo mesmo, incentivando-se a continuar. Falou-nos do Padre João Anastácio, que o ouviu, a chorar, a contar a sua história e que o fez repeti-la perante um grupo de pessoas que, espontaneamente, passado meia hora de ele a ter contado, lhe deixavam, no total, €150 nas mãos.

Mas nem tudo são histórias tristes: também nos contou o seu encontro com uma amiga de longa data, Portuguesa, radicada em Estocolmo, formadora de topo da Apple, bem como de uma casa de seis assoalhadas, com piscina, onde, entre tantas outras, chegou a dormir, nos 13 dias (sim, foi isso que disse) que a sua viagem durou.

Tudo isto virá a ser um livro, que já poderia estar editado, se não lhe tivessem roubado recentemente o computador e ele tivesse de regressar a um ponto ligeiramente anterior àquele em que já estava na história. “Pé descalço” é o nome proposto e podem consultar a página de facebook ou o blogue para se manterem informados sobre a futura edição.

Esta Betatalk foi extremamente rica em termos humanos. Deixa-nos a fasquia bem alta para as seguintes, que, pelos vistos e pelo que nos foi dito no final, vão passar a ser no edifício AXA, nestas próximas edições. A organização não deixou de referir que está aberta a propostas, por isso, se têm algo em mente… digam-lhes.

Edifício AXA, no Porto, junto à Câmara Municipal

Início | Anterior

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s