Betatalk October, 16 – Edifício AXA, Porto (continuação)

Henrique e Rosário, da Unite, agência de turismo solidário, entretanto, Hearts & Journeys

Depois da intervenção da Maria Almeida e da deste inesperado membro do público, foi a vez de dois jovens (o Henrique e a Rosário, com quem tive o prazer de falar, posteriormente, no coffee brake, juntamente com a Sara, os três extremamente simpáticos) se levantarem e contarem a sua experiência.

Como tinha dito, os vários projectos apresentados estavam de algum modo ligados entre eles. A UNITE – Agência Turismo Solidário faz parte do conjunto de startups da Up! e também eles corroboraram a satisfação que têm de fazer parte do grupo de empresas que por lá operam.

Unite

A proposta da Unite é muito simples: proporcionar a jovens carenciados a possibilidade de usufruírem de uma experiência turística, aumentando as suas competências on the job e trazendo mais valor para as comunidades, através de um regime de trabalho voluntário que esses jovens prestam, do qual, entidades (nomeadamente estrangeiras) podem usufruir, em troca do financiamento da dita experiência.

Ou seja, como o Henrique teve oportunidade de me explicar, existem dois pólos: o jovem carenciado e algum empresário estrangeiro – o jovem está disposto a ingressar num regime de trabalho voluntário; o empresário, em pagar a experiência turística do jovem e em dar-lhe formação; o jovem trabalha para ele, em trabalho que tem impacto sobre comunidades e recebe formação enquanto isto decorre, usufruindo, simultaneamente, de uma experiência turística, em que poderá, por exemplo, dormir num hotel de quatro estrelas, ter acesso a guia turístico, etc. E, no meio, a Unite ainda consegue fazer dinheiro.

Surpreendidos? Não são os únicos. Henrique e Rosário contaram-nos o quanto começar um projecto é difícil, agravado pela questão de ser de natureza social. Explicaram-nos o quanto já tiveram ganas de abandonar a ideia, mas como acabam sempre – e isto é muito importante, para os empreendedores que me estão a ler – por se agarrar aos pequenos sucessos que conseguem conquistar, para continuarem a avançar e seguirem em frente, a enfrentar as novas adversidades.

Explicam-nos também o quanto as aparências iludem e como uma reunião que parece ter terminado em beleza acabar por não produzir nada, ao passo que a pior das reuniões – uma que dão de exemplo, em que a pessoa fez questão de dizer que estava ali a contragosto (a reunião já tinha sido anteriormente desmarcada – aquelas que desmotivam logo qualquer um, acabam por dar óptimos frutos, quando menos se espera. Persistência é o nome do meio destes sonhadores.

E o brilho nos olhos com que falam da sua empresa – porque, para além do sonho, trata-se de uma empresa – faz-nos acreditar que existem muito boas cabeças em Portugal e que alguns farão a diferença, onde que quer que estejam, o que quer que estejam a fazer.

A vantagem de ouvir jovens a falar é que estes são normalmente mais espontâneos: o que lhes falta em técnica discursiva, compensam em autenticidade e em testemunhos que acabam por ser extremamente válidos por serem transparentes, permitindo-nos ouvir confissões que pessoas mais experientes acabam por infelizmente não partilhar, por vivermos numa cultura de suposta infalibilidade.

Os jovens da Unite estão muito longe disso, e ainda bem. Não podia haver melhor escolha para deixar um ambiente positivo no ar, durante o coffee brake que se seguiu à intervenção deles.

[Update: a Unite agora é conhecida como Hearts & Journeys]

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