ClickSummit, 2014, 22 de Novembro: Paulo Colaço – Escrever discursos: passar a mensagem (página 2)

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As três exigências da mensagem

Para que a mensagem que queremos passar num discurso esteja apurada, há que ter presente três exigências fundamentais:

Objectividade

Objectividade é abordar somente os assuntos necessários. O contrário disto é desviar a atenção do objectivo principal e obstruir o caminho para que a mensagem fundamental passe;

Concisão

Concisão é passar o máximo de informação com o mínimo número de palavras, sendo o oposto o uso excessivo de palavras, como o exemplo inicial que o orador citou. Isto pode levar, como é óbvio, a que o público se canse;

Clareza

Um texto claro leva à imediata compreensão do leitor ou do ouvinte. O contrário, confunde o interlocutor e a mensagem não passa.

Cuidados básicos a ter na estruturação de um discurso

O orador aborda uma pequena lista de pontos a ter presentes:

  • Fazer a lista das principais mensagens
  • Organizar com um fio condutor (para manter o interesse e para que se perceba a lógica dos nossos argumentos)
  • Falar/escrever com simplicidade (não é falar «caro», é falar claro)
  • Usar a linguagem do receptor
  • Usar frases e parágrafos curtos
  • Ensaiar a intervenção (ninguém pode fazer um discurso estando a lê-lo pela primeira vez)

 

Mensagem de base: Transmitir com rigor e naturalidade o pensamento

 

Formas de dar força à mensagem

Paulo Colaço aborda apenas três das várias formas de como dar força à mensagem, técnicas que podem ser introduzidas nos discursos e torná-los mais eficazes:

  • Soudbite – literalmente, “um pedaço de som” – um refrão, uma frase, um slogan, uma mensagem forte que é repetida e reconhecida. Surgiu nos anos 60, particularmente no meio radiofónico, para referir um pedaço de som, um excerto de uma trilha sonora de um filme, de um discurso ou até de uma música, extraído, para que fosse repetido imensas vezes ao longo da emissão, passando a ser reconhecido pelos ouvintes. A expressão foi absorvida pela linguagem corrente, como uma ideia que vai sendo repetida e reconhecida.

 

Há que ter em conta que o tempo de atenção e de antena desceu vertiginosamente. Se nos anos 60, quando a expressão surgiu, o tempo de antena, tipicamente, era de sessenta segundos, hoje, é de cerca de sete.

Harvey Brom, na rádio WGSV, no início dos anos 60

Harvey Brom, na rádio WGSV, no início dos anos 60

Logo, é importante manter presente – especialmente nesta época das plataformas digitais, em que o tempo está mais acelerado do que nunca – que o nosso citador – um jornalista, por exemplo – poderá apenas expor um soundbite do que temos para levar ao seu público espectador. Portanto, será de considerar a possibilidade de sintetizar tudo o que temos para dizer numa única frase marcante, que poderá ser citada e mesmo assim manter a ideia central expressa.

Na ausência de tal, pelo menos tentar manter as frases curtas e simples, como acima referido. Se tal não está a acontecer, se nos alongamos demasiado, ou a ideia é demasiado complexa ou somos nós, enquanto comunicadores, que estamos a falhar.

  • Buzzword – é a palavra de rua: é o que o homem comum diz, nos locais públicos, em casa, entre família, etc. As principais ideias e as principais impressões que as pessoas retêm e partilham sobre a actualidade.

 

  • Punchline – é um remate, tipicamente «em grande». É o final de uma ideia ou sequência de ideias, de uma anedota, de uma intervenção. Como exemplo, o orador passa um pequeno vídeo, de Kennedy, em Berlim, que termina com o então Presidente dos Estados Unidos da América a dizer que é um Berlinense, em Alemão – a famosa frase “Ich bin ein Berliner”:

 

Todos estes elementos e outros poderão ser acrescentados aos discursos, de modo a dar-lhes mais força, mais envolvência e, assim, conseguir maior adesão da parte dos públicos. Mas não é tudo. É também necessário…

 

Estudar o público

É essencial ter presente para quem se vai falar. Ter em conta aqueles com quem interagimos é algo que, aliás, já aqui referimos. Sem excepção, na área do falar em público e discursar, há que ter em conta todos os elementos que mais marcam a nossa plateia, sejam a profissão ou a religião que professam, a idade, o nível escolar, a sua idade, etc. e até à opinião que as pessoas têm sobre o tema ou a nossa posição expectável.

Ter presente o público para quem se fala é importante não para mudar as nossas ideias, mas para nos ajudar a modelar o discurso de modo a sermos compreendidos. Não se trata, portanto, de sugerir a desonestidade para com os públicos ou até as nossas ideias, modificando, de algum modo, a essência da mensagem, mas de comunicar tendo em conta para quem falamos.

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