ClickSummit, 2014, 21 de Novembro: Jorge Azevedo – Digital PR & Brand Journalism (página 2)

Página 1 | Página 3

O acto de contar histórias, que as marcas agora recuperam, não é novo, em si

Assim, vemo-nos a braços com o conceito de estórias corporativas e da prática consciente do storytelling. O conceito de storytelling não é novo – apenas está agora a ser integrado no mix de comunicação das marcas.

Cada vez mais as empresas são obrigadas a recorrer à criatividade para se fazerem ouvidas. E, neste contexto altamente competitivo, a que já aludimos, há que fazer uma introspecção realmente profunda, para perceber de que forma uma marca podediferenciar-se e marcar o seu público, de modo a que este queira estabelecer uma relação genuína com a marca – em detrimento, em última instância, de uma relação com todos os outros que, em teoria, ofereceriam o mesmo bem ou serviço.

A viralidade está a perder importância enquanto factor de avaliação da relevância que um determinado conteúdo tem para as marcas

Portanto, a mensagem terá de ser criativa, sem dúvida, mas tendo em conta não apenas o efeito instantâneo (a viralidade), mas a forma como pode criar percepções duradouras, permanentes, que engajam aqueles a quem se quer chegar e materializam os valores que a marca representa.

E como fazer isso, isto é, passar os valores de uma marca, por exemplo, uma marca centenária, para um público da era digital? Há duas formas, segundo o orador: podemos fazer como até aqui, isto é, «montar um circo», de um modo consistente, quase de lavagem cerebral; ou podemos reconhecer que nos encontramos numa nova era do jornalismo e adaptar-nos.

Os media tradicionais revervavam para si o poder de moldar a percepção da realidade que as pessoas tinham. Nos dias de hoje, isso mudou.

Os media tradicionais revervavam para si o poder de moldar a percepção da realidade que as pessoas tinham. Nos dias de hoje, isso mudou.

Como o orador já havia referido, os media estão numa crise de identidade, quer a nível do poder que tinham, como “quarto poder” que foram, quer ao nível da natureza pela qual sempre se caracterizaram até aqui, agora que existe toda uma série de plataformas novas, e portanto, novas formas de receber e de difundir informação.

Aliás, a crise de identidade dos media chega até ao ponto de fazer os questionar de que modo poderão agora sustentar a sua actividade – portanto, a área da comunicação social é uma área sensível, que está em luta interna, para tentar conseguir compreender, mais uma vez, como sobreviver e manter a sua nobre missão, como paradigma de informação credível, quando a tecnologia mantém toda a gente conectada.

Um novo mundo, digitalmente conectado

E nesta nova era em que nos encontramos «digitally connected», a enxurrada de estímulos com que somos bombardeados e distraídos naturalmente desvia atenções para uma série de outros pontos de contacto, obrigando os media a tentar chegar ao público, mais do que o inverso.

Isso obriga a adaptações, com os media mais tradicionais a aceitarem que devem ter pelo menos uma presença no digital, quando a sua própria existência não se torna totalmente nativa do novo meio, passando a sua sede a ser exclusivamente na net – o que justifica o surgimento de nomes como o Diário Digital ou a versão online e paga, do Expresso, no nosso próprio território nacional.

Aliás, um estudo do UK (que pode facilmente ser transposto para a nossa realidade) demonstra, por exemplo, o aumento exponencial dos blogues (especificamente, para o presente tema, ligados aos media, escritos por jornalistas), a explosão dos infográficos, o crescimento vertiginoso do mobile (de que Portugal não é claramente excepção), os video releases das marcas, etc – como sintomas de uma nova forma de consumir informação – esta é a era da difusão e da dinâmica.

Madonna estreia o vídeo de “Living for love” no Snapchat, ignorando os media tradicionais, em nome da tentativa de estabelecer uma maior conectividade com o seu público

O orador referiu ainda algo que todos nós sabemos, mas do qual muitas vezes não extrapolamos todas as implicações: que os ciclos noticiosos (no sentido mais amplo da expressão) agora são mais rápidos – porque dos media controlados pelas marcas até à amplificação social, basta apenas um botão ser carregado pelo público interessado para que o processo se desenrole organica e exponencialmente.

O novo paradigma é, portanto, o jornalista-cidadão: munido com os smartphones, o cidadão amador regista e divulga fotos e vídeos de acontecimentos instantâneos. Aliás, os próprios media tradicionais já integram esses contributos nos seus próprios canais, dessacralizando a própria actividade. E se tudo isto é fantástico, pelo acesso à informação (aparentemente) não-filtrada, por outro lado, levanta questões de natureza ética e deontologica.

Jornalista-cidadão: o novo paradigma da transmissão de informação

Entre elas, o facto de o jornalista-cidadão ser uma pessoa com uma posição, muitas vezes ideológica, enquanto o jornalista-jornalista deve – pelo menos, em teoria – apresentar informação independente, muitas vezes contrapondo posições distintas, deixando o veredicto ao público. A visão do cidadão-jornalista é sempre uma (aquela que ele subscreve e do ponto que ele a presenciou), enquanto os media profissionais devem velar por apresentar visões diversas e até conflituantes, sempre que tal seja relevante, e deixar o público para o qual trabalham, decidir, mediante a informação que a ele disponibilizam.

Para as marcas, em particular, todo este novo poder, que está justamente nas mãos do público, representa uma séria ameaça à integridade da sua reputação construída. Ou seja, antes de mais, as marcas devem velar por ter um comportamento e um discurso que, sendo divulgado, não as comprometa – abandonando quaisquer estratégias de mera cosmética.

Página 1 | Página 3

A próxima conferência a ser libertada é do Paulo Colaço, com o nome “Escrever discursos: passar a mensagem“. Subscreva agora, para poder receber as notas desta e das restantes conferências que iremos cobrir.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s