ClickSummit, 2014, 21 de Novembro: João Campoa Rodrigues – Recrutar, para mais tarde fidelizar (página 1)

Clicksummit 2014: o primeiro evento de Marketing Digital, de várias conferências sucessivas a longo de vários dias, em formato digital

Quarta conferência do segundo dia do ClickSummit 2014: João Campoa Rodrigues, responsável pela unidade de Marketing Digital da agência Golo, vem falar-nos sobre o panorama de marketing digital do mercado Moçambicano.

Aliás, a sua conferência (com cerca de vinte minutos) foi justamente gravada em Moçambique, o que, com a conferência de Camila Porto, adicionou ainda um pouco mais de diversidade de perspectivas sobre o digital empresarial que o ClickSummit trouxe aos seus espectadores.

Camila Porto, conferencista do ClickSummit 2014, com o tema "Recrutar, para mais tarde fidelizar"Apaixonado pela gestão de empresas, João C. Rodrigues passou pela Unilever, pela Central de Cervejas e pela L’Oreal, antes de assumir o cargo actual. Curiosidade: um dos seus filmes favoritos é o “Top Gun”.

O orador começou por abordar o panorama geral dos meios e dos públicos (“a vista aérea”, como ele designou), com que um marketer tem de saber lidar, em Moçambique: para começar, o número de utilizadores de internet é de 5.4% (cerca de um milhão de utilizadores, no total) – compare-se este valor com os 62% (cerca de seis milhões) de Portugal e percebe-se o quanto ainda estamos a falar de um mercado que está a surgir.

Em contrapartida, em Moçambique, a radio ainda é o meio mais poderoso, com 17 milhões de ouvintes (distribuídos por várias emissoras, claro); a, tv, por seu lado, conta com 5 milhões de espectadores.

O desabafo dele, acerca da dificuldade que há em promover o meio digital junto dos decisores das empresas é, portanto, altamente compreensível. Se nós, cá, em Portugal, já nos debatemos com essa dificuldade, compreendemos facilmente o quanto é um desafio suplementar lá, perante esta distribuição.

Em Moçambique, as novas gerações passam directamente para o mobile, no seu uso da internetCuriosamente, as novas gerações vão directamente para o modelo mobile, saltando o paradigma do desktop – o que pode significar que, não obstante este contexto,, Moçambique é um terreno fértil para abraçar alterações que estão a afectar o resto do mundo e, portanto, eventualmente apanhar a tendência geral de modo mais orgânico do que o que o estado-da-arte actual faria supor.

Obviamente que esforços terão de ser feitos a vários níveis. A cobertura nacional da rádio, por exemplo, é de 100%. A da TV é próximo disso. Já  70% da cobertura de net está localizada em Maputo, sendo o restante distribuído por apenas algumas outras cidades (Beira, Nampula, etc) – ou seja, há definitivamente ainda muito que investir, a nível das infraestruturas. Do ponto de vista das empresas, isto significa que, como vimos noutros momentos e locais, quem mais depressa abraçar a mudança mais vantagens competitivas vai ter, obviamente.

Mapa de Moçambique, com as principais zonas ou cidades

Se analisarmos a distribuição da pulação pelas diferentes redes sociais mais populares, percebemos que, tal como em outros sítios, o Facebook reina, conta com cerca de 1 milhão de pessoas, enquanto o Twitter tem 50 000. O Instagram tem 30 000 utilizadores, o LinkedIn, 10 000 e o Google Plus, 2 000. Portanto, é uma situação muito semelhante ao resto do mundo ocidental.

O público feminino é geralmente superior ao masculino, entre os 18 aos 24. Cruzando com poder de compra, todos estes factores podem servir de ponderação, no momento de fazer um pitch a um possível investidor.

Compare-se o custo/retorno dos meios tradicionais versus digitais, no entanto: 30 segundos em horário nobre têm o custo de 600 dólares, mas o mesmo valor, aplicado em Facebook, ainda não compensa, em termos de reach.

Edifício do Rádio Clube Moçambique

Edifício do Rádio Clube Moçambique

Por causa disso mesmo, a estratégia passa normalmente por criar estratégias que liguem o on e o offline. O próprio mercado está tradicionalmente habituado a estratégias de rua, roadshows, eventos, concertos, activações em ponto de venda, acções de guerrilha, etc – e mesmo as marcas estão tipicamente interessadas em gastar fundos nestas estratégias. Portanto, ancorando-se nessa tendência, procuram, com estas actividades captar a atenção das pessoas, para depois as fidelizar digitalmente.

Normalmente, o recrutamento de seguidores funciona deste modo: primeiro, captam a atenção através de um dos eventos offline que acima referidos. Nele, aproveitam logo para dar um brinde físico (uma foto, por exemplo); aí, redireccionam as pessoas para um link onde existe algum tipo de mecanismo de fidelização – um pedido de um like, por exemplo.

Exemplo de uma activação de marca, na rua, em Moçambique

Um elemento interessantíssimo – tantas vezes descurado até em mercados digitais mais maduros – passa pela preocupação em ter conteúdo pronto, que gere um engagement alto, para ser servido após essa fidelização, para manter o engagemente presente.

Para isso, usam equipas multidisciplinares, que incluem áreas como a gestão de cliente, o social media magagement, o copy, o design, etc. Estas equipas analisam a marca em detalhe, segundo modelos, e, percebendo os objectivos que lhe subjazem, elegem o ângulo da marca (e seus activos) e planeiam as várias declinações..

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A próxima conferência a ser libertada é do Paulo Colaço, com o nome “Escrever discursos: passar a mensagem“. Subscreva agora, para poder receber as notas desta e das restantes conferências que iremos cobrir.

 

 

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