ClickSummit, 2014, 22 de Novembro: Paulo Colaço – Escrever discursos: passar a mensagem (página 1)

Clicksummit 2014: o primeiro evento de Marketing Digital, de várias conferências sucessivas a longo de vários dias, em formato digital

E assim começamos o terceiro dia do ClickSummit. A primeira conferência do dia foi a do Paulo Colaço, dedicada ao tema da escrita de discursos. Esta conferência destacou-se das restantes até aqui assistidas, por ser menos focada no digital e mais voltada para as problemáticas mais abrangentes da comunicação.

Ao contrário das restantes conferências a que assistimos até aqui, esta não foi introduzida por Frederico Carvalho, o organizador principal do ClickSummit. Assim, Paulo Colaço começou directamente a mesma, apresentando-se como CEO da Potenciar Comunicação, Assessor de Comunicação e Formador. Dirige campanhas eleitoriais, faz gestão de crise e de conteúdos editoriais, redacção de discursos e formação em diversas áras, nomeadamente, em escrita criativa, falar em público, escrever com rigor e, claro, escrever discursos. [Infelizmente, ele não tem LinkedIn criado e a Potenciar Comunicação ainda tem o seu site em construção]

Paulo Colaço, conferencista ClickSummit e CEO da Potenciar Comunicação

Paulo Colaço, conferencista ClickSummit e CEO da Potenciar Comunicação

Ele introduziu a sua conferência indicando que esta constitui, na realidade, um excerto do seu curso de escrita de discursos. O curso procura passar algumas das técnicas da escrita de discursos mais clássicas e evitar os erros mais comuns da escrita e de comom abordar o público da melhor forma. Ele é orientado especificamente para dirigentes políticos, associativos e empresariais, mas também serve a profissionais de assessoria e comunicação; também é frequente encontrar entre os alunos deste curso e do curso de falar em público estudantes, jornalistas, advogados, comerciais, etc.

Introdução

A conferência começou com a exibição de um pequeno vídeo dos humoristas Gato Fedorento, sobre declarações o treinador do Sporting Clube de Braga, Manuel Machado. Podem ver o vídeo completo dos Gato Fedorento, de onde o orador extraiu o primeiro minuto, aqui:

Ao contrário do chavão corrente sobre os dirigentes desportivos, o exemplo de Manuel Machado serve de trampolim para a demonstração daquilo que Paulo Colaço considera a regra de ouro da comunicação em geral e do discursar em particular: comunicar é um exercício de eficácia e não de elegância.

E se não faltam exemplos de declarações de personalidades ligadas ao Futebol que pecam pela má utilização do Português ou por modos mais caricatos, a deste dirigente peca pelo excesso de recorte literário, que soterra até a mais banal frase em arabescos tais, que fazem escapar o sentido desejado transmitir aos seus receptores inicialmente.

O importante não é falar caro, mas falar claro

O importante não é falar caro, mas falar claro

O importante não é que digam que «falamos bem», mas que percebam o que queremos dizer, e, assim, criar adesão às nossas ideias. Assim, o valor de um discurso depende, antes de mais, dos efeitos que ele produz, não da sua obediência a determinados cânones estilísticos.

Etimologia

Etimologicamente, a palavra “discurso” tem dois significados: por um lado, sigifica “percorrer, ir em várias direcções”; por outro, significa “argumentação, raciocínio”. Assim, numa acepção mais livre, o discurso é o percurso do nosso raciocínio, que é o mesmo que dizer que é o trilho mental que queremos percorrer com o outro, o nosso interlocutor, o nosso público.

Discursos históricos

Existem vários discursos que são considerados históricos, exemplares, que podemos estudar. P. Colaço dá três exemplos:

  • “Sangue, esforço, lágrimas e suor”, de Winston Churchill

  • “I have a dream”, de Martin Luther King, Jr. (reproduzido mais à frente)
Jesus Cristo, Winston Churchill e Martin Luther King, Jr. - oradores que moveram multidões

Jesus Cristo, Winston Churchill e Martin Luther King, Jr. – três grandes oradores destacados por Paulo Colaço

Fases da construção e discurso (do ponto de vista profissional)

Todo o processo de criação de um discurso obedece – ou deveria obedecer – a estas fases:

  • Briefing
  • Pesquisa
  • Listas e ordenação
  • Primeiro texto
  • Validação
  • Treino
  • Avaliação

O briefing é a fase em que o redator é convidado pelo orador ou representante dele e lhe é comunicado que tipo de discurso se espera que escreva: qual é o tema, local e a altura em que irá ocorrer o discurso, etc.;

Pegando nestas ideias, o redactor irá pesquisar sobre o tema subjactente ao discurso. Quanto melhor for a pesquisa, mais rigoroso é o texto;

As listas funcionam como listas de supermercado: são as principais ideias, conceitos, palavras e frases que queremos incluir no discurso; a ordenação corresponde a organizar aquelas ideias presentes na lista de um ponto de vista lógico – no fundo, o tal caminho que se espera e se prevê que o público percorra até à conclusão desejada, de modo a que esse caminho seja razoável, ordeiro, fácil de seguir;

Daqui surge o primeiro texto, um rascunho do texto final. Nesta fase, o orador irá olhar para o texto, assimilá-lo, interiorizá-lo e propor alterações, como expandir, retirar ou reorganizar partes. A reescrita deve conduzir a um texto óptimo, que cumpra o que se deseja e com o qual o orador se sente confortável;

Validado o texto, há que treiná-lo. No fim, após a exibição propriamente dita, é importante avaliar todo o desempenho pois, como o Paulo Colaço diz, “se não avaliarmos, não evoluímos”.

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