A satisfação não é o contrário da insatisfação

Herzberg e a Teoria dos Dois (Tipos de) Factores

Uma das críticas à teoria de Motivação de Maslow é que a felicidade não tem uma única forma igual para todos: cada pessoal, cultura, época define para si o que representa essa palavra

Voltando a Abraham Maslow, podemos dizer com segurança que ele ficou indubitavelmente para a História como um dos nomes mais importantes das Ciências Humanas – quanto mais não seja, pelo ângulo radicalmente inovador com que encarou o comportamento humano, focado na felicidade e nos estados saudáveis do ser, ao contrário de estudar os estados patológicos da alma.

Porém, e como já tínhamos aludido, a sua teoria da Motivação sofreu fortes críticas ao longo dos anos, como acusações de que as suas conclusões não seriam baseadas em informação colectada segundo os protocolos científicos mais exigentes. Outros apontavam-lhe o facto de ter uma visão demasiado estereotipada do que é a felicidade, que varia de cultura para cultura, por exemplo.

Frederick Herzberg, criador da Teoria de Motivação dos Dois Factores ou Teoria de Motivação dos Dois Tipos de Factores

Frederick Herzberg (1923 – 2000)

Por isso, cerca de treze anos depois de Maslow publicar a sua teoria, mais exactamente em 1959, Frederick Herzberg – apoiado já em dados mais concretos – propõe alterações importantes ao Modelo da Hierarquia das Necessidades, focando-se em particular nos factores internos de organizações – nomeadamente empresas – como factores de possível motivação.

Na investigação que realizou sobre duas profissões que Herzberg considerava de importância crescente para o mundo empresarial – contabilistas e engenheiros – o investigador apercebeu-se que os diferentes factores que Maslow enumerou como sendo motivacionais poderiam ser agrupados em duas grandes famílias:

  • por um lado, existia uma série de factores que estavam relacionados com condições de trabalho (por exemplo, condições salariais, segurança no trabalho, etc);
  • por outro, existiam factores (reconhecimento, desafio, responsabilidade, etc) que estavam relacionados com o que próprio trabalho implica fazer.

Herzberg percebeu que, enquanto a presença destes últimos produzia um sentimento motivado real – daí ele os apelidar de “factores motivacionais” propriamente ditos – a sua ausência não provocava a desmotivação necessariamente.

A desmotivação, pelo contrário, era provocada pela ausência dos primeiroscuja presença, por sua vez, não chegava a despoletar a motivação. A factores com este tipo de retorno ele chamou, para distinguir dos outros, “factores higiénicos“.

A Pirâmide das Necessidades de Abraham Maslow versus a Teoria dos Dois Tipos de Factores de Frederick Herzberg

É por causa desta dictomia factores higiénicos/factores motivacionais que se diz que a sua teoria da Motivação se chama da Teoria dos Dois Factores. Não é exactamente correcto, porque não estamos a falar de dois factores, mas sim de dois grupos de factores. Por isso é que, em rigor científico, proporíamos que esta passasse a ser chamada de Teoria dos Dois Tipos de Factores, em vez disso.

Enquanto os factores higiénicos se relacionavam, grosso modo, com os primeiros três níveis do modelo de Maslow (necessidades de homeostasia, segurança e afecto), os factores motivacionais, por excelência, estariam mais depressa associados aos dois últimos níveis (estima e auto-realização) da suposta pirâmide das hierarquias de necessidades (que, recordemos, nunca foi apresentada por Maslow como sendo graficamente uma pirâmide).

Nota: alguns autores consideram que as necessidades de nível intermédio (sociais, de afecto) farão parte dos tipos de Herzberg, simultaneamente, como na imagem ilustrativa.

Relação entre satisfação e insatisfação, necessidades higiénicas e motivacionais, segundo Frederick Herzber

A curiosa conclusão a que ele chegou é que motivação e desmotivação não são necessariamente antagonistas que fazem parte de um contínuo único, em que aumentando um, automaticamente se garante a diminuição do outro, mas sim duas linhas relativamente independentes.

Assim, se uma entidade colectiva pretendesse reduzir a insatisfação dos seus membros, deveria colmatar falhas relativas aos primeiros (factores higiénicos). Em contrapartida, se, aí sim, desejasse aumentar o grau de satisfação, de motivação, destes, deveria apostar nos factores motivacionais.

Esta última formulação que não induza o leitor em erro: a opção entre os dois grupos possíveis não estava aberta ao capricho de quem fosse aplicar o paradigma correctamente – Herzberg especifica que se deve começar por resolver os factores higiénico e só depois passar aos motivacionais. Sem estes resolvidos, não há qualquer espaço para que os outros actuem sobre o moral da organização.

Esta nova formulação vem trazer uma camada de complexidade adicional ao modelo de Maslow. E, na sequência disso, Herzberg identifica quatro tipos de tipologias organizacionais, quanto à atenção conferida aos dois tipos de factores. Sobre isso, falaremos no nosso próximo artigo.

Leitor: o que é essencial para si, no seu local de trabalho? Quais são as necessidades que são mais importantes e que prioritariamente deseja ver atendidas?

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