Autoridade e Liderança

Sobre a Autoridade, segundo Max Weber

Como temos vindo a salientar recorrentemente, a Liderança é o primeiro motor da orgânica dos colectivos humanos – é ela quem determina quem faz parte dela, qual é o seu papel para o objectivo global, os poderes e as obrigações de que se investe o seu cargo e até os códigos de conduta da organização.

O líder é o motor da equipa

Naturalmente, a visão de Max Weber – economista e pai da sociologia moderna – sobre o que seria o modelo ideal das organizações (A Teoria Burocrática) implicava reflexões sobre a natureza da Liderança subjacente a um colectivo segundo os traços por ele descritos.

Efectivamente, Weber debruçou-se também sobre a questão da Autoridade, que está intimamente ligada à temática da Liderança. No seu ensaio de 1922 “Die drei reinen Typen der legitimen Herrschaft” (“Os três tipos de governação legítima”), ele explica a sua tese sobre este ponto.

Max Weber acreditava que existiam três tipos de Autoridade (que ele define como o “poder legitimado por aqueles a ele sujeito”): autoridade carismática, autoridade tradicional e autoridade racional-legal. Vamos conhecer as três:

  • autoridade carismática – Weber define “carisma” como “um dom de encanto extraordinário e pessoal” e postula que é uma característica que só alguns detêm, muito em linha com a Teoria do Homem Excepcional de Carlyle. ou mesmo a visão de Fayol sobre Gestão e Liderança. Os líderes carismáticos são vistos como detentores de capacidades acima da média, logo, pessoas altamente capazes e confiáveis. A fé nesses indivíduos, na sua capacidade e potencial, é, aliás, uma das características mais fortes deste tipo de liderança, o que significa a sua autoridade não é exactamente sinónima das capacidades reais quem supostamente as detém, mas da percepção que os seus seguidores têm dele – o que é subjectivo por definição
Conjunto de personalidades históricas, caracterizadas por uma visão carismática que os impulsionaram como líderes

Autoridade Carismática

  • a autoridade tradicional, como o nome indica, é aquela que assenta numa dada ideia de tradição, de continuidade. É, segundo Weber, “a autoridade do eterno ontem”. Poderíamos dizer que é uma autoridade baseada na sucessão e é aquele estatuto de que qualquer indivíduo fica naturalmente investido porque faz parte dessa mesma linha sucessória. É a autoridade típica de famílias reais e semelhantes plutocracias
Concelho da tribo e o chefe da mesma, em decisão

Autoridade Tradicional

  • a autoridade racional-legal já eiva de um cargo em si e do próprio sistema de leis em que o cargo se insere, e que legitima aquele cargo e a autoridade de que este se imbui. Isto é, portanto, o mesmo que dizer que se trata de uma autoridade que não é inerente ao indivíduo, por ele mesmo, mas da posição que ele ocupa e que lhe é conferida enquanto ele ocupar esse mesmo lugar. Esta é a autoridade que muitas vezes é declarada nas hierarquias do organigrama, mas que, como já vimos, pode não corresponder exactamente à verdadeira – ou, pelo menos, a única – sede de poder dentro de uma organização.
Liderança Racional-Legal

Liderança Racional-Legal (não obstante a Liderança de Obama ser carismática, ela é assente em constrangimentos legais)

Segundo Max Weber, as sociedades desenvolvem sequencialmente estes três tipos de autoridade ao longo do tempo, começando nos colectivos unidos pelo carisma de uma dada personalidade (autoridade carismática), evoluindo para, por exemplo, uma linhagem legitimada por uma origem que remonta de modo directo ou indirecto a essa personagem carismática (autoridade tradicional) e culminando, finalmente, num tipo de regime procedimental, racional, que estabelece leis que, por sua vez, imprimem poderes e responsabilidades (estatutos) a cargos e papéis e, por decorrência, autoridade (autoridade racional-legal).

O interessante paradigma de Weber declara que a sociedade democrática seria, assim, enquanto sistema sociopolítico, o culminar de uma evolução que se afastava gradualmente das tradicionais monarquias sucessórias. Nesta visão a organização burocrática, com a sua paixão pela racionalidade e pelas leis, seria o culminar da própria natureza humana colectiva.

Uma socidade burocrática

Existiriam, portanto, dois tipos de líderes, nas organizações: líderes transaccionais, que operam segundo o seu contexto de modo a obter resultados (transaccionado, por exemplo, as suas capacidades úteis por poder) e líderes transformacionais, que não têm medo de questionar o status quo e criar um rompimentos com o passado se tal for o melhor para o grupo.

Na linha do que já antes foi dito em relação à autoridade, estes últimos seriam líderes carismáticos, enquanto os primeiros, os líderes transaccionais, seriam ou tradicionais ou racionais-legais. Portanto, o burocrata weberiano encaixa nesta definição, o que diz muito do que se poderia esperar de uma pessoa numa organização burocrática e de como as dinâmicas entre os vários participantes se desenrolariam.

A Liderança pode ser a diferença que promove a transformação

Liderança Transformacional

Esta apaixonada visão de Max Weber, fascinada pela lógica, pela eficiência, pelo respeito quase supersticioso pelo cargo e pela hierarquia encerrava em si mesma, como sabemos, um germe perigoso, do qual o mundo em ebulição crescente que entretanto se impôs não se compadeceu mais e que acabou por determinar a obsoletização desta teoria.

Há, no entanto, o mérito de Weber já abordar o tema da Liderança Carismática e ter sido o primeiro a reconhecer um carácter situacional da Liderança (que iremos explorar mais tarde, quando chegar o devido momento).

culto-da-hierarquia

Como perspectiva, a Teoria da Burocracia serve, se não para nos ensinar a importância da lógica nos processos e no trabalho das organizações, pelo menos para nos lembrar do perigo da rigidez excessiva, da confiança extrema na hierarquia-pela-hierarquia e na cegueira organizacional decorrente de mega-estruturas, que abafam as pessoas na sua própria realidade e as afastam do objectivo que as fez, ironicamente surgir inicialmente.

O facto de terem havido outras teorias a conflituar com esta, não nos pode, portanto, surpreender. Por isso mesmo, no próximo artigo, depois de almejarmos o ideal (pelo menos no que respeita à ordem) nas organizações, iremos justamente falar da importância de trazer o humano de volta às entidades humanas colectivas.

Leitor: dos três tipos de Autoridade que Max Weber descreveu, qual é aquele a que é mais sensível?

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