A estrutura do próprio pensamento

Sobre o Funcionalismo de William James e o Método Psicanalítico de Freud

Tal como dissemos no artigo anterior, Wundt lançou toda uma nova ciência. A sua visão atraiu muitos jovens brilhantes, chamando a atenção para um campo novo e florescente. Alguns seguiram a escola do mestre, outros afastaram-se para novas perspectivas. Um dos mais célebres de entre estes terá sido, como dissemos, Edward Titchener. Foi ele que chamou à corrente de Wundt Estruturalismo e criou a primeira escola de Psicologia.

Ele é também o responsável por levar a Psicologia Estruturalista para os EUA, onde surgirá, em resposta, uma outra corrente, o Funcionalismo, influenciada por pensadores como Charles Darwin, o autor de “A Origem das Espécies” e da Teoria da Evolução e Émile Durkheim, o chamado pai da Sociologia Francesa  – o que é uma excelente ilustração do que havíamos dito, acerca de todos os campos do saber, não obstante se autonomizarem, continuam profundamente interligados e mutuamente influentes.

William James: criador do Funcionalismo e provavelmente o maior crítico do Estruturalismo

William James

William James será um dos principais representantes do Funcionalismo e um dos mais acérrimos críticos do Estruturalismo. Nesse sentido, a sua obra em dois volumes de 1890, “Princípios de Psicologia” será um marco, para o paradigma funcionalista.

A picardia entre os Funcionalistas e Estruturalistas exacerbou-se até ao ponto de W. James e W. Wundt trocaram galhardetes sobre a relevância das perspectivas do respectivo adversário. James chega a dizer do Estruturalismo que esta era uma escola de pensamento que tinha “muita escola e pouco pensamento”, enquanto Wundt elegantemente replica que o Funcionalismo é “belíssimo, mas é literatura e não psicologia”. Coisas de investigadores. Curiosamente, James é considerado o primeiro psicólogo Americano, por muitos.

Primeira edição de "Principios de Psicologia", de William James

Primeira edição de “Principios de Psicologia”, de William James

A diferença entre as duas escolas era, no entanto e olhando-as hoje, com os olhos de alguém no Século XXI, diminuta. Em termos práticos, os Funcionalistas procuravam trazer mais algum rigor ao métodos da Psicologia, apostando-se em analisar os processos mentais de um modo mais esquemático e valorizando a intencionalidade por trás dos actos, em detrimento das sensações, tão caras aos Estruturalistas: a actividade mental deveria ser avaliada segundo a capacidade de permitir a adaptação do organismo ao seu meio.

Um outro ponto de interesse do Funcionalismo é a importância que os seus defensores dão ao carácter individual do sujeito, distanciando-se, assim, dos Estruturalistas, mais interessados em rapidamente estabelecer regras universais para o comportamento do que em elencar comportamentos particulares.

Sigmund Freud, pai da Psicanálise

Sigmund Freud, pai da Psicanálise

Como comentário à parte, e até para que se situem melhor, é mais ou menos por esta altura que Sigmund Freud começa a dar os primeiros passos na sua Teoria Psicossexual da Consciência e no seu método psicanalítico. O seu “Estudos sobre histeria” é publicado em 1895, inaugurando um campo de investigação de corpo próprio que ainda hoje tem adeptos e representantes.

A Psicanálise irá ter um impacto tão grande no pensamento Ocidental, como a própria Teoria de Evolução das Espécies de Darwin. Até a Arte sofreu com a sua influência, como não faltarão exemplos disso. Freud traz à Psicologia a noção da Consciência tripartida: o Consciente, o Subconsciente e o Inconsciente, elementos que eram ignorados quer por Funcionalistas, quer por Estruturalistas, que apenas consideravam o lado consciente da mente humana e a noção de que há pulsões que censuradas, retornam sob formas alternativas, no nosso comportamento quotidiano.

Quadro de Salvador Dali representando Sigmund Freud

Homenagem de Salvador Dali a uma das suas maiores influências: Sigmund Freud

Muito poderia ser dito sobre a Psicanálise, mas talvez nos desviássemos demasiado. Resta dizer que é também neste idos que surge uma nova escola de Gestão.

Se bem se recordam, quando deixamos este tema, tínhamos ficado com Henri Fayol, o pai da Gestão Moderna, que publicara em 1916, a “Teoria Geral da Administração”, e que, em linha com a Teoria da Liderança por Perfil, bastante em voga na altura, postulava que um gestor será necessariamente um líder (relação que, como sabem, já foi entretanto dissociada) e, portanto, dotado de determinadas características físicas, mentais e morais, de uma formação genérica e  de uma específica da área em que operava e, finalmente, experiência acumulada.

Mas algo novo estava para acontecer, em 1922. E é sobre isso que falaremos no próximo artigo.

Leitor – qual é para si o maior contributo: o estruturalismo inaugural de Wundt ou a psicanálise de Freud?

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2 thoughts on “A estrutura do próprio pensamento

  1. Mais um excelente artigo. Muitos Parabéns, João!!! Um abraço Edgar

    No dia 17 de abril de 2015 às 19:37, “Blogue Comunicação Empresarial PT –

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