Líderes que são camaleões

Sobre as expansões ao Modelo da Grelha, de Blake e Mouton, incluindo o trabalho de McKee e Carlson

O artigo de hoje vai começar com um parêntesis sobre um ponto bastante relevante, na minha opinião: desde há bastante tempo que temos abordado as evoluções paralelas da Economia, da Gestão e do estudo da Liderança, de uma perspectiva histórica, para que se entenda a convergência de todos estes planos científicos no culminar da área de estudo deste blogue – a Comunicação de Marcas, vulgo Gestão de Reputação.

Nesse sentido, vamos explorando vários marcos, pontos-chave dessas histórias, debruçando-nos sobre teorias, metodologias, pressupostos. E temos estado a discutir a Liderança pelo impacto que ela tem sobre toda a cultura e estrutura organizacional.

Nas ciências empresarias, tudo está relacionado entre si

É fácil cair na ideia, por isso mesmo, de que estas visões, estas escolas, são estanques e perfeitamente datadas, sendo que a cada nova proposta, a anterior é totalmente anulada e deixa de existir, desaparecendo do mundo sem deixar rasto – mas nada poderia ser mais errado: na realidade, os marcos apontados – por exemplo, o lançamento de uma obra que inaugura uma dada perspectiva – são meros pontos de referência.

O mais comum é que uma dada escola de pensamento coexista com escolas anteriores e prossiga, evoluindo, ao lado de perspectivas que surgirem posteriormente, entretanto.

É o caso do modelo da Grelha de Liderança, que temos vindo a abordar. Quando editaram originalmente o seu livro, “The Managerial Grid: The Key to Leadership Excellence”, em 1964, Blake e Mouton definiram, como vimos, cinco estilos possíveis de liderança mais específicos, entre 81 combinações possíveis, na sua grelha, consoante o lider se orientava mais para as tarefas ou as pessoas da organização.

Rachel McKee e Bruce Carlson, que expandiram o modelo originalmente proposto por Blake e Mouton

Rachel McKee e Bruce Carlson, que expandiram o modelo originalmente proposto por Blake e Mouton

Porém, quer da parte dos próprios, em 1985, quer da parte de seguidores seus, nomeadamente Rachel McKee e Bruce Carlson, em 1999, com “The power to change”, o modelo sofreu a introdução de alterações. Assim, na versão mais madura, o modelo passou a integrar mais dois perfis de comportamento possíveis, que iremos abordar agora:

O estilo paternalista – prescrever e guiar

O líder Paternalista da grelha Blake & Mouton - oscila entre a posiçã 1,9 (Laissez-faire) e a posição 9,1 (Autoritário)

O líder Paternalista

Este é um estilo em que o líder define padrões de comportamento e objectivos quer para si, quer para os outros, os seus subordinados. Não deixando de reconhecer o valor dos seus funcionários e de os recompensar, ele não tolera desvios em relação à sua opinião, distanciando-o do estilo {9,9}, que tem um carácter mais participativo em relação aos seus seguidores.

Adicionado ao modelo em 1999, foi descrito como sendo um estilo que oscila entre o {1,9} (o líder do clube recreativo) e o {9,1} (o autoritário).

O estilo oportunista

O líder Oportunista da grelha Blake & Mouton - ocupa todas as posições, conforme lhe convém

O líder Oportunista

O estilo de liderança oportunista foi introduzido já na adenda de 1985, pelos próprios criadores do paradigma. Tipicamente, ele é descrito como sendo um estilo sem localização específica na grelha. Os líderes deste tipo adoptarão qualquer ponto do espectro, conquanto ele os ajude a atingir mais facilmente os seus objectivos.

Podem chegar a explorar situações e manipular subordinados, de modo a criar forças de persuasão sobre a equipa. Para este líder, lembrando “O Príncipe” de Maquiavel, “os fins justificam os meios”, não sendo estranho que coloquem os seus próprios interesses pessoais à frente dos do grupo. Ao contrário de um líder por excelência, do tipo {9,9}, o líder oportunista está muito pouco preocupado com obter empatia da parte do grupo, desde que obtenha, da parte deste, condescendência ou até submissão.

Os Sete Comportamentos associados à Liderança, segundo o Modelo da Grelha

Os autores relacionados com este modelo definiram ainda seis comportamentos que determinariam o estilo de liderança, a que, em 1999, foi acrescentado um sétimo, a resiliência. Os sete parâmetros, mais a definição que eles tomam neste contexto são apresentados no quadro abaixo:

Comportamento Descrição
Iniciativa Estar na frente de acção, mas também fomentá-la e apoiá-la
Sindicância Procurar obter mais informação e testá-la, para expandir o seu próprio conhecimento
Defensa Comunicar as suas opiniões e defendê-las com convicção
Decisão Avaliar recursos, identificar diferentes possibilidades de acção e respectivas consequências e optar por uma acção
Conflito Confrontar conflitos e resolver disputas
Crítica Usar experiência passada para projectar o resultado de determinado comportamento, fornecendo feedback adequado
Resiliência Lidar com problemas, contratempos e falhanços e ancorando-se nestes para o progresso do grupo

Para finalizar, e em jeito de brincadeira, deixo-vos um vídeo de uma apresentação que fiz, justamente sobre o tema da Resiliência. Talvez vos alegre o dia.

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