Os cinco líderes

Explorando os cinco tipos principais de Líder do Modelo da Grelha de Blake & Mouton

E tal como prometido no último artigo, vamos continuar a explorar o Modelo da Grelha de Liderança, de Blake e Mouton, integrado na Escola Comportamental de Liderança. Tal como indicado na altura, iremos explorar os vários tipos de liderança que surgem, quando cruzamos diferentes graus de apetência de um determinado líder para a produtividade e para o relacionamento interpessoal.

Não se esqueça, no entanto, que já temos duas novas reportagens das conferências ClickSummit 201415:00 – Camila Porto – 5 motivos para seu negócio investir no Facebook e 22:00 – Luís Spencer Freitas – A transformação das organizações para endereçar o digital. Caso ainda não o tenha feito, sugerimos que subscreva a newsletter para receber estas e outras novidades (até porque vamos começar a ter uma secção de Recursos mais robusta).

De volta ao tema que nos traz hoje ao contacto, provavelmente ainda se recordam da grelha do modelo de Blake & Mouton:

Grelha de Blake e Mouton, assinalando os cinco estilos básicos de liderança (indifererente, laissez faire, homem-organizacional, autoritário e líder ideal), num referencial de dois eixos, numa escala de 1 a 9

E nela, como podem ver, já temos assinalados os cinco estilos principais que este modelo define. Vamos caracterizá-los individualmente:

1,1 – O líder ausente, laissez-faire ou indiferente – a gestão empobrecida

O líder 1,1 da grelha Blake & Mouton - o líder ausente, laissez-faire ou indiferente - a gestão empobrecida

Este tipo de líder – se é que assim se pode chamar – não demonstra nem apetência para as tarefas da organização e os seus objectivos enquanto organismo colectivo, nem para os membros desta, isto é, as pessoas.

É um líder que procura não dar nas vistas, mantém o desempenho da organização no limite do que poderia chamar à atenção sobre si mesmo, pois está mais concentrado em defender-se a ele mesmo e à sua própria sobrevivência. Este tipo de liderança é considerada fraca e baseada meramente na posição do organigrama, portanto, corresponde ao líder formal, mas que notoriamente não detém poder de influência.

Como será de esperar, ele dá origem a uma organização muito pouco eficiente, com membros altamente descontentes: sem controlo e feedback, os funcionários não sabem se estão a fazer bem ou mal e os que fazem bem e o sabem, sentem-se injustiçados perante os que fazem mal. Por outro lado, o vazio de liderança criado leva naturalmente a que líderes informais se queiram afirmar, provocando naturalmente paroquialismos e disputas. Não surpreendentemente, estas organizações tendem a ter uma alta rotatividade.

1,9 – O clube recreativo – a acomodação

O líder 1,9 da grelha Blake & Mouton - o clube recreativo - a acomodação

As pessoas organizam-se em grupos por causa da sinergia que ocorre quando elas juntam esforços. Um mais um passa a ser mais que dois. Este líder, ao contrário do lider laissez-faire, tem pelo menos uma forte preocupação com as pessoas. Porém, não tem uma orientação clara para a organização e os seus objectivos. Não obstante ele fazer tudo o que pode para manter a harmonia do grupo e a satisfação dos seus membros, ele é fraco em exigir deles um comportamento que justifique a colectividade.

Em resultado disto, temos um conjunto de pessoas – que pouco poderemos classificar de “equipa”, mas mais depressa como grupo de «compinchas» – que mostra-se bastante satisfeito, mas que é altamente improdutivo e abaixo do seu potencial. Em extremo, isso pode determinar alguma desmotivação nos membros do grupo.

9,1 – O líder autoritário, o ditador – obediência-ou-morte

O líder 9,1 da grelha Blake & Mouton - o líder autoritário, o ditador - obediência-ou-morte

Nos antípodas do líder anterior, o líder autoritário é altamente vocacionado para a produtividade, para a eficiência e a eficácia da organização, centralizando todas as decisões em si – o que leva os restantes membros do grupo a sentirem-se desapegados do projecto colectivo.

Paradoxalmente, embora as decisões passem sempre, em última instância, por eles, estes líderes tendem a imputar os resultados insatisfatórios ou as falhas processuais aos seus subordinados e não a eles mesmos, como o resultado de algum tipo de desobediência ou incompreensão das suas ordens.

A realidade é que estes líderes, apesar de serem bastante eficazes, dado o desgaste que imprimem às suas equipas, produzem um êxito de curta duração, provocando, inclusive, uma rotatividade constante, com tudo o que isso acarreta. O grau de insatisfação dos subordinados – que são vistos como meros factores produtivos – é notório, sendo comum o conflito interno.

5,5 – O status quo, homem-organizacional ou caminho-do-meio – compreensão/compromisso

O líder 5,5 da grelha Blake & Mouton - o status quo, homem-organizacional ou caminho-do-meio - compreensão/compromisso

Este é um líder equilibrado, que encontramos justamente no meio da grelha. Ele tenta dar resposta quer às necessidades das pessoas, quer aos objectivos da própria organização. Porém, e como a análise do próprio modelo denuncia, este é um líder que mantém tudo (membros e organização) na base da medianeidade, claramente abaixo do seu potencial.

Numa organização liderada por alguém com este perfil, os subordinados não estão nem descontentes, nem exactamente motivados: ele não apresenta desafios – que poderiam ser oportunidades de crescimento – à sua equipa, muitas vezes sendo eles a decidir o que será feito. Eis porque as decisões deste líder tendem a ser baseadas não na lógica, nas necessidades, recursos e objectivos, mas na popularidade que determinada opinião colhe ou não.

9,9 – O líder eficaz – a equipa de trabalho

O líder 9,9 da grelha Blake & Mouton - o líder eficaz - a equipa de trabalho

O Rei Salomão discutindo os planos do seu futuro Templo

Segundo o Modelo da Grelha, este seria o líder mais produtivo de todos: ele teria alta atenção a ambos os parâmetros. Estes líderes dão o exemplo, participando do próprio trabalho do grupo, demonstrando alto compromisso para com a comunidade e altos níveis de motivação. Por isso mesmo, lideram equipas altamente motivadas que atingem altos padrões de produtividade.

Eles demonstram integridade e fidelidade a um sistema de valores que permite criar um clima de respeito e confiança mútua. Como seria de esperar, a equipa é naturalmente coesa, com baixa rotatividade e com membros individualmente satisfeitos. Não surpreendentemente, eles atraem elementos altamente capazes para a sua esfera.

Blake e Mouton ainda exploraram um pouco mais o seu modelo, fazendo algumas adendas posteriores. Por isso mesmo, no próximo artigo, iremos abordar ainda um pouco mais a Grelha da Liderança.

Caro leitor: da sua experiência, pode apontar exemplos para algum dos líderes que estivemos a enunciar? Pode dizer que conheceu um {9,9}? E mais além: o que lhe parece que limita o aparecimento de mais líderes deste tipo?

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