O Xadrez da Liderança

Sobre o Modelo da Grelha de Liderança, de Blake & Mouton

E a nove dias do aniversário do blogue, com os dois marcos históricos de termos tido no dia 16 deste mês o melhor dia do blogue até agora, com 94 visitantes e 234 views, e passados três dias, atingirmos as 15000 views, só podemos estar extremamente satisfeitos. O blogue Comunicação Empresarial teve um pico em 16/02/2015 com 94 visitantes e 234 visualizações. Três dias depois, atingiu as suas 15000 visualizações. Parte disso deve-se, naturalmente à nossa recente cobertura do ClickSummit 2014, inaugurada com a reportagem da conferência de André Novais de Paula, “Os 5 passos para o sucesso em email marketing”. É por isso que sugerimos a subscrição da newsletter via email, em vez de seguimento via WordPress: desta forma, já recebe as newsletters, onde informamos acerca das notas destas conferências, fazemos avaliações de livros, além de, claro, enviarmos os artigos, como o de hoje, de igual modo. E falando dele, temos estados a discutir a importância das Escolas de Harvard, Ohio e Michigan  para o estudo da Liderança. Ao falarmos da abordagem de Rensis Likert ao tema, demos logo a entender que essa não era a única declinação da Teoria Comportamental da Liderança, que nos tem ocupado nos últimos posts. Na realidade, o chamado Modelo da Grelha de Liderança, de Blake & Mouton, de que começaremos a falar hoje, é provavelmente ainda mais conhecido que a teoria de Likert. De tal modo, que ainda é amplamente referenciado, sempre que se faz um apanhado das teorias de liderança, por ter levado a perspectiva da Liderança como o domínio compreendido entre os extremos comportamentais definidos pelos líderes de tarefa e pelos líderes de relação, inaugurada por Robert Bales, a todo um nível superior.

O Dr. Robert Blake e a Dra. Jane Mouton, responsáveis pela criação do modelo da Grelha de Liderança

O casal Blake & Mouton

Baseando-se justamente no que as visões de Harvard, Michigan e Ohio tinham em comum, o Dr. Robert Blake e a sua esposa, a Dra. Jane Mouton – também eles um casal, como Rensis e Jane Likert – procuraram, em 1964, estabelecer a síntese entre as três teorias. Com as duas tipologias (tarefas e pessoas) já proposta por Robert Bale, construíram um referencial ortonormado de dois eixos, em que no eixo vertical colocaram uma escala de 1 a 9, na qual um determinado estilo de liderança poderia ser enquadrado, consoante este se caracterizasse mais ou menos por uma atenção especial às pessoas e as relações (coordenada v); do mesmo modo, no eixo horizontal, essa mesma liderança poderia ser enquadrada em relação ao seu foco nas tarefas, objectivos e produtividade do grupo (coordenada h).

Grelha de Blake e Mouton de classificação dos estilos de liderança em combinatórias, num referencial de dois eixos, medidos de 1 a 9

A grelha Blake & Mouton

Um estilo passaria a ser caracterizado, assim, por um par de coordenadas do tipo {v,h}. [Nota para que tem formação em Matemática ou equivalente: ao contrário dos referenciais cartesianos que colocam primeiro a coordenada do eixo dos x’s e depois a do eixo dos y’s, nos pares de coordenadas, no Modelo da Grelha, aparece primeiro a coordenada do eixo vertical e depois, a do eixo horizontal do par que localiza, na grelha, determinado estilo de liderança] Ou seja, em vez de dizermos se um líder era mais orientado para as tarefas ou para as pessoas, uma forma eventualmente simplista de abarcar variadíssimos perfis ao longo de todo o espectro e que também não poderiam ser encapsulados em apenas três ou quatro tipos, esse mesmo líder passava a ser caracterizado por um valor quantitativo dentro dos dois parâmetros. Assim, um estilo baixo em orientação para as pessoas, mas alto para as tarefas seria, por exemplo, {2,8}; inversamente, se fosse mais orientado para as pessoas e menos para as tarefas, seria, suponhamos, {7,3}. Das 81 combinatórias possíveis (9×9) surgiriam então, 81 estilos possíveis. Destes, e para facilitar a compreensão do modelo, estabelecendo padrões de comparação, Blake e Mouton destacaram 5 perfis mais característicos (assinalados no diagrama), a que por sua vez estariam associadas outras tantas formas de gerir:

Grelha de Blake e Mouton, assinalando os cinco estilos básicos de liderança (indifererente, laissez faire, homem-organizacional, autoritário e líder ideal), num referencial de dois eixos, numa escala de 1 a 9

Os cinco principais estilos de liderança: indiferente, laissez-faire, autoritário, homem-organizacional e líder ideal

Estas localizações mais características, por descreverem perfis mais diferenciados, que poderiam ser usados como pontos de referência, receberam nomes específicos, que, em parte, como podemos ver, têm alguma relação com os tipos que o casal Likert encontrou. Eles seriam então…

  • O líder ausente, laissez-faire ou indiferente – a gestão empobrecida (1,1)
  • O clube recreativo – a acomodação (1,9)
  • O status quo, homem-organizacional ou caminho-do-meio – compreensão/compromisso (5,5)
  • O líder autoritário, o ditador – obediência-ou-morte (9,1)
  • O líder eficaz – a equipa de trabalho (9,9)

Como estarão a adivinhar, este último tipo seria aquele que mais se aproxima do Líder Participativo originalmente presente na teoria da Escola de Michigan, assim como é possível encontrar os restantes tipo,s de Ohio e Bales, nesta matriz. Blake & Mouton, integrados na Linha Comportamentalista da Liderança, procuraram assim estabelecer uma visão alternativa dos fenómenos da Liderança, mas sem deixar de criar pontes com as principais teorias do seu contexto ideológico, formando uma síntese que as englobava de um modo mais orgânico. Dada a relevância deste modelo, no próximo artigo iremos falar destes cinco tipos de liderança mais em detalhe. Reflexão: será que este modelo é mais adaptado à realidade ou considera que se torna tão complexo que se torna difícil de o importar para a decisão, leitor? Deixe-me a sua opinião. CTA de subscrição do Blogue Comunicação Empresarial PT Para profissionais e estudantes da área da Comunicação Empresarial: há uma comunidade LinkedIn aberta a discussão e networking. Esteja onde está toda a gente: junte-se a nós.

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