Liderança: não há uma sem duas, nem duas sem três

Sobre as Escolas de Ohio e Michigan e dos seus respectivos modelos de Liderança

A Liderança como uma ponte entre dois mundos

No último artigo, que marcou o regresso à actividade pública deste blogue, prometi que voltaria em sensivelmente 15 dias. E a promessa cumpriu-se, como podem ver. Na altura, falamos do trabalho pioneiro de Robert Bales, que ao observar a dinâmica de interacção entre membros de pequenos grupos, fizera descobertas curiosas, nomeadamente no campo da Liderança, que contrariavam a ideia de um único perfil de Liderança possível.

Bales tinha percebido que havia caracteristicamente líderes mais orientados para as tarefas necessárias à prossecução dos objectivos do grupo, enquanto outros focavam-se mais nas relações internas dos participantes do colectivo – e que estes habitualmente coexistiam no mesmo grupo.

Campus da Universidade de Ohio

Universidade de Ohio

Mas, como se disse, na altura, Bales não foi o único a reparar nesta dinâmica: praticamente ao mesmo tempo, a Universidade de Ohio também decide votar-se ao fenómeno que faz com que indivíduos se destaquem perante os restantes, dirigindo os destinos do grupo – os líderes. Mais do que preocupar-se com o porquê de tal acontecer, os estudos de Ohio procuram compreender a orgânica do processo.

E tal como no caso de Bales, as investigações desta instituição apontaram para a divisão do cômputo geral das lideranças em dois grandes grupos: as lideranças fortes em consideração e as lideranças de iniciação de estrutura.

Tal como no caso dos líderes orientados para as relações, de Bales, no primeiro caso da Universidade de Ohio, os líderes de consideração estariam naturalmente mais orientados para a relação grupal, mostrando-se particularmente preocupados com os seus subordinados e apoiando-os, enquanto os segundos, os líderes de estrutura preocupar-se-iam mais em definir o seu papel e dos seus subordinados, em função dos objectivos que justificavam a criação e participação no grupo – ou seja, correspondiam claramente aos líderes de tarefa de Bales.

 Tal como Harvard e Ohio, a Universidade de Michigan divide de modo muito semelhante as lideranças, estabelecendo o modelo que já havíamos referido - lideranças orientadas para as pessoas versus lideranças orientadas para as tarefas

Universidade de Michigan

E como não há duas sem três, exactamente por volta desta altura, a Universidade de Michigan envolve-se no mesmo tipo de investigações, e tal como Harvard e Ohio, Michigan organiza de modo muito semelhante as lideranças, estabelecendo o modelo que já havíamos referido – lideranças orientadas para as pessoas versus lideranças orientadas para as tarefas, que correspondem com bastante simplicidade, à tipologia de consideração e de iniciação de estrutura de Ohio, respectivamente.

Michigan observa que enquanto os primeiros eram muito mais liberais em relação à hierarquia, estabelecendo apenas linhas mestras de orientação e focando-se mais depressa em resolver o lado emotivo do grupo, ao ponto de sair da sua esfera e participar da vida pessoal dos seus subordinados, os outros eram mais orientados para os objectivos pragmáticos do grupo, procurando que estes fossem simultaneamente alcançáveis, mas de algum modo desafiantes para os seguidores.

Caracteristicamente, acrescentaram, estes líderes eram menos operacionais que os primeiros, limitando-se mais a orientar os outros sobre o que fazer, do que eles mesmo participarem na acção.

O mais eficaz dos líderes, segundo a Escola de Michigan: os Líderes Participativos

O mais eficaz dos líderes, segundo a Escola de Michigan: os Líderes Participativos

Por isso mesmo, Michigan denota a presença de um terceiro tipo de governação: o líder participativo. Ele funcionaria como um equilíbrio entre as outras duas possibilidades, até aqui encontradas. Mais facilitador do que directivo, o líder participativo é o que toma as decisões finais, como os líderes de tarefa puros, mas que, ao contrário destes, prefere estimular a interacção dos membros e a procura de soluções conjuntas para os problemas partilhados pelo grupo – como um líder de relação faria. A escola de Michigan acrescenta ainda que este tipo seria o mais eficaz dos três.

Derivado justamente do plano teórico desta universidade – novamente em sensivelmente 15 dias – iremos falar acerca do trabalho de um outro investigador, que aprofundou ainda mais a temática da Liderança, desenvolvendo uma tipologia diferente, não de dois ou três tipos possíveis de líder, mas quatro – forçando ainda mais a clivagem com o modelo tradicional do líder de perfil único.

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