Uma liderança, dois caminhos

A Teoria Comportamental do Líder, ruptura com a Teoria de Liderança pelos Traços

Líder nato?

A ideia de que um líder é dotado de determinadas características naturais que o fazem destacar-se dos restantes, predispondo-o para o poder (e a responsabilidade inerente) deriva em grande medida da nossa percepção do que é a liderança.

Ela é directamente inspirada pela nossa observação da dinâmica que se estabelece nas comunidades de seres vivos, em que os vários elementos afirmam a sua posição na hierarquia que os relaciona através da competição: os mais naturalmente favorecidos nos parâmetros mais válidos serão os previsivelmente mais aptos a ser líderes – machos alfa – em detrimento dos restantes – machos beta.

Os machos alfa humanos

Sendo o ser humano, antes de mais, ele próprio, um ser vivo, a transposição parece ser uma daquelas ideias auto-explicativas, nascida do senso comum, em que se pode facilmente fazer o paralelo entre o observado nos ecossistemas biológicos e o plano social humano.

Porém, como todas as ideias do senso comum, não obstante existir um carácter aparente que as confirma, elas invariavelmente escondem uma realidade de natureza mais complexa do que o que suporíamos a uma primeira observação.

“E pur si muove!” [E, no entanto, move-se], dizia Galileu Galilei

É um pouco como achar-se que é o Sol que anda à volta da Terra e não o contrário, porque é o que efectivamente observamos, dado o nosso ponto de vista na Terra. Porém, como sabemos, em exemplos como este, por vezes, o mais óbvio não é o mais correcto, sofrendo-se facilmente de desvios derivados do nosso papel não isento.

A Liderança é um desses temas: há centenas de anos que ele interessa aos seus estudiosos, mas apesar da continuada investigação e o relativo avanço das teorias, cada vez mais percebemos que os factores que levam alguém a seguir outrem são de difícil enumeração, previsão e, portanto, controlo.

A Teoria dos Traços (tratada do último artigo) foi uma das primeiras a tentar explicar o fenómeno da Liderança, focando-se no próprio líder e no que seriam as tais características inatas deste, que o qualificavam nesse papel. Ela reinou principalmente entre os anos 30 e 40 do século XX. Como dissemos, ela defendia que o líder seria dotado de certas características físicas, mentais, morais, sociais, deontológicas que o definiam como tal.

Um lídercomo alguém que fosse talhado para isso

Segundo esta teoria, um bom líder seria dotado de energia, teria uma determinada aparência, que incluía certo peso e altura; ele seria de personalidade entusiasmada, auto-confiante e adaptável; também teria uma boa capacidade de relacionamento interpessoal, sendo um estimulador de cooperação. Mais ainda, em termos do que concerne às suas tarefas, ele teria alta capacidade de realização, seria dotado de espírito de iniciativa e ainda persistência.

Por mais que este retrato-robot do líder seja de fácil consenso, ele encerra em si o estigma de que a maioria destes traços seriam justamente genéticos e, portanto, a Liderança seria quase que uma condição derivada do nascimento: quem não nascera líder, tal como entre as comunidades biológicas, nunca chegaria a sê-lo, em circunstâncias ditas normais. Isto quase que justificava um sistema de castas inabalável.

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A realidade, porém, desmentia isto e víamos indivíduos que reuniam essas características e eram líderes e outros, apesar do mesmo perfil, não. Também surgiam indivíduos que começavam por ser subordinados e acabavam por revelar-se líderes em determinados momentos, demonstrando um comportamento liderante onde antes não o tinham feito.

Com a genérica evolução gradual da Ciência, concretamente para o caso, a Psicometria – e dentro desta, especificamente, o que se votava à medição de factores – começou a ser mais fácil compreender a relação entre cada um dos determinados factores (traços) e a sua consequência no comportamento e desempenho da equipa.

Frenologia: a ciência que estudava a relação entre os altos no crânio e o comportamento

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A dificuldade de estabelecer uma correlação inequívoca, traço a traço, fez surgir uma nova teoria de Liderança, mais científica que a anterior, que defendia que o que fazia a diferença era o comportamento do próprio líder perante a equipa e não traços estáticos de que este fosse munido.

Ainda que subtil, esta diferença serviu de pano-de-fundo para a abertura a toda uma nova perspectiva: como se trata de comportamentos e não de traços de uma determinada personalidade, os factores que levam à liderança ou, por outra, que a podem fazer, fraquejar podem ser melhorados, aprendidos.

Presença liderante

O Padrinho

Esta nova grande abordagem chamar-se-ia Teoria Comportamental do Líder e seria contexto para uma série de teorias relacionadas, todas com o mesmo fundo conceptual de base. A grande distinção é que alguém, desde que munido com o condicionamento comportamental ideal, poderia chegar a ser líder, ao passo que antes, não.

A primeira grande grande classificação que foi efectuada nesta nova aproximação ao problema da Liderança foi a classificação dos líderes em dois grandes grupos: os líderes votados para as tarefas e os líderes votados para as pessoas, conforme estes tinham estilos de liderança mais preocupados com as relações humanos, o bem-estar das pessoas, etc ou, pelo contrário, mais voltados para a obtenção de resultados, a eficiência, etc.

Líder: tarefas ou pessoas?

Tarefas ou Pessoas?

Não sendo mutuamente exclusivos e estanques, a maioria dos líderes reais está algures no espectro definido por estes dois extremos. O que se torna uma verdadeira clivagem com a situação anterior, é que aqui admite-se dois estilos básicos de liderança, enquanto na Teoria do Homem Excepcional e na Teoria dos Traços, procurava-se um único retrato do que seria a Liderança.

Este ponto é fulcral para os desenvolvimentos subsequentes. Mas sobre isso teremos tempo de falar em breve.

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