À procura do retrato-robot do líder ideal

A Teoria de Liderança por Perfil

Retrato-robot do líder ideal

Se só agora começou a ler este blogue, saiba que temos vindo a falar acerca de Liderança, nos últimos artigos. Particularmente, na evolução do estudo da mesma e da sua relação com a disciplina empresarial da Gestão.

Começamos por explicar a importância de nomes como Sun Tzu e T’ai Kung, Platão, Maquiavel e Carl von Clausewitz para o desenvolvimento do conhecimento estratégico como factor de desempenho e sobrevivência das organizações. Estes contributos sucessivos criaram uma tradição de pensamento imprescindível para o nosso contexto actual. Não será, por isso, surpreendente, que, dentro deste âmbito, tenhamos referido desde muito cedo o trabalho de Adam Smith, o pai da Economia, também.

A actividade empresarial evoluiu ao longo de centenas anos, tornando-se cada vez mais complexa, conforme o meio também evoluía.

A actividade empresarial evoluiu ao longo de centenas anos, tornando-se cada vez mais complexa, conforme o meio também evoluía.

Entretanto, no último artigo, começamos a entrar na era moderna, expondo a relação entre a Teoria Científica da Gestão de Frederick Taylor e a percepção que existia, até então, do que seria a Liderança.

Explicamos como esta noção em muito devia à teoria de Thomas Carlyle [utilizadores de Android poderão fazer o download gratuito da obra “Dos heróis, do culto do herói e dos heróis na História” em diferentes versões para os seus smartphones e tablets na Playstore, em Inglês original, para além do link que colocamos na publicação anterior] e tentamos estabelecer, assim, o conflito que levou a obra de Taylor a ser seriamente considerada apenas em determinados sectores, durante muito tempo.

Temos falado destas questões porque, no fundo, estamos a tentar estabelecer uma matriz ideológica acerca da criação de identidades de marca. Para isso, começamos por concretizar como vemos as organizações e de que forma é que toda a própria realidade organizacional evoluiu ao longo dos tempos.

Organizações: um jogo de equilíbrios

Também exploramos a importância do conhecimento da realidade interna da organização como forma de dar dimensão concreta à marca. Foi justamente a partir daí que começamos a abordar o tema da Liderança que nos tem ocupado, pois sendo esta a primeira responsável pela realidade organizacional, acaba por ser o motor da identidade que pretendemos representar e amplificar através da marca. Não faz sentido conceber uma sem a ter em consideração a outra.

Na realidade, a marca surge, em primeira linha, na articulação entre a realidade organizacional a que se reporta e o que a sua liderança deseja que essa realidade organizacional seja.

Diferença entre Líder e Gestor

“- Quem é o teu líder? Vamos, diz.
– O senhor…”

Ainda nesta sequência de notas, lembramos que a realidade organizacional é mais complexa do que o que vem expresso no seu organigrama e que existem lideranças formais e informais – o que já de si é um excelente aviso acerca da complexidade em que este tema se pode desdobrar. Fizemos, inclusive, sobre este aspecto em específico, uma clara distinção entre o papel do Líder e o papel do Gestor.

Feito o ponto da situação e prosseguindo então a nossa explanação, hoje falaremos do chamado pai da Gestão Moderna. Estamos a falar, obviamente, de Henri Fayol. Em 1916 ele publica a “Teoria Geral da Administração” (nome pelo qual a Gestão era identificada à data) e estabelece um paradigma que, não obstante tudo o que foi desenvolvido posteriormente, ainda hoje faz sentir o seu eco.

Henri Fayol: autor da

Henry Fayol (1841-1925): autor da “Teoria Geral da Administração”, pai da Escola Clássica da Gestão e avô da Gestão Moderna

A este paradigma chamou-se a Escola Clássica. Foi Fayol quem primeiro enunciou as quatro funções básicas do Gestor: Planear, Organizar, Dirigir e Controlar. Na realidade, ele enunciou-as como cinco (Planear, Organizar, Comandar, Coordenar e Controlar), mas o esquema essencial estava, a partir daqui, definido. Esta esquematização ainda hoje é vista como sendo exemplar e sintética do que é o trabalho do gestor de qualquer tipo de organização e em qualquer época ou lugar.

Quanto à Liderança, enquanto capacidade, segundo Fayol, emanada do próprio gestor, ela estaria indelevelmente ligada a um conjunto de características de que este teria de ser detentor. Ele teria de ser dotado de características físicas, mentais e morais, ser dotado de uma dada formação específica, integrada numa outra, genérica e, finalmente, experiência.

o-lider-incognito

É fácil perceber a lógica inerente, de tão pragmática que se nos surge. Parece ser tão clara que se torna quase inquestionável. Esta visão da Liderança está intimamente relacionada com aquilo que é chamado a abordagem da Liderança pelo Perfil.

Ainda que ela vigorasse efectivamente nos meios académicos nos anos 30-40 do século XX, a verdade é que ela trazia ao dito meio científico uma visão sobre a natureza da Liderança que assentava mais no empírico e no saber popular do que era resultado de um profundo estudo sobre o tema.

Assim, a abordagem da liderança pelo perfil tinha como objectivo, em primeira linha, listar o grupo de características físicas, mentais e sociais que compunham o retrato do líder ideal.

Esta teoria da liderança, como é bom de ver, está de uma algum modo relacionada com a teoria do Homem Excepcional de Thomas Carlyle, o que deixa o papel de liderança a uns dados elementos naturalmente eleitos para a posição, sem ter em conta, por exemplo, em que contexto se dava a acção de liderança.

Ricky Gervais, o péssimo líder em

Na série “O escritório”, Ricky Gervais interpreta o papel de um anti-líder que faz tudo o que alguém não deve fazer à sua equipa.

Por isso mesmo, os estudos que tentavam determinar que características ou conjunto de características outorgariam alguém como líder ou não mostraram-se infrutíferos. As únicas características que pareciam transversais aos vários estudos é que os chamados líderes seriam eventualmente um pouco mais altos e mais inteligentes (!) que os seus liderados (resultado que, para um homem de 1.65m como eu, é, no mínimo, duvidoso).

Napoleão Bonaparte: os baixinhos também mandam

Napoleão Bonaparte: Imperador de 1.69m

Apesar das limitações, estas escolas têm sempre o mérito de ter explorado uma dada linha de pensamento – quanto mais não seja, para a esgotar. De entre os nomes que poderíamos citar na escola da abordagem da liderança pelo perfil podemos destacar Gordon Allport, um psicólogo Americano que terá igualmente contribuído, de modo notório, para o conhecimento sobre a natureza da Motivação – um outro tema intimamente relacionado com a questão da Liderança.

Gordon Allport: psicólogo Ameriano, fortemente envolvido nas questões de Liderança e Motivação

Gordon Allport (1897-1967)

Regressando a Henri Fayol, para terminar, refira-se que ao acrescentar características como experiência e formação, ele introduz um elemento de aprendizagem no que seria o perfil do líder. Ainda assim, Fayol, inspirado pela teoria do Homem Excepcional, vê no gestor organizacional um ser privilegiado, responsável último por todos os destinos da organização.

O líder como um facilitador de sinergias

O gestor é visto como figura de autoridade máxima e o pilar que assegura a disciplina, a equidade e a ordem da organização. Não obstante tudo isto ser verdade, é ainda uma visão demasiado austera do papel do líder, que, nos dias de hoje, é antes visto como um facilitador de sinergias, antes de mais. A autoridade, a disciplina, ainda que subjacentes ao seu papel, são hoje vistas como subentendidas e cartas que devem ser puxadas apenas em último caso (não obstante existirem empresas que, nos dias de hoje, parecem viver no saudosismo do século XIX).

Definição de

Definição de “sinergia”

Fayol recupera ainda a importância da unidade de comando e de direcção, de que já faláramos no tempo dos Romanos: é importante que cada pessoa tenha apenas uma outra a quem responda, ao longo de uma clara cadeia de comando, hierarquizada, em que a equipa está divida por cargos diferentes com papéis e tarefas distintos subjacentes.

Espírito de equipa

Tal como Taylor, ele sublinha a importância da remuneração e da estabilidade de um emprego fixo, como factores motivacionais para as massas trabalhadoras. Não obstante a rigidez implícita ao seu modelo teórico, Fayol sublinha já na altura a importância do espírito de equipa e da iniciativa (ainda que totalmente controladas por quem detém o poder, no fundo). Veremos, aliás, o poder do social sobre a produtividade a ser claramente comprovado nas experiências de Hawthorne.

Equipa vencedora

Esta visão humanista das organizações irá sendo paulatinamente expandida para substituir a rigidez do seu modelo, culminando, actualmente, no nosso paradigma de organizações como seres vivos inteligentes e proactivos. Mas essas questões ficarão para os próximos artigos em que continuaremos a observar esta evolução.

Leitor: Quais são as principais críticas que pensa poderem ser apontadas a este modelo? Deixe-me a sua opinião nos comentários.

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