Entre líderes e gestores

Expondo a diferença entre deter uma posição hierárquica e liderar efectivamente

 

A questão da liderança é inata à própria natureza humana

A questão da liderança é um assunto que fascina a humanidade há séculos: é inata à própria natureza humana. Foram escritos inúmeros compêndios sobre este aspecto (e outras tantas teorias), que é essencial à vida das organizações – mas o fulcro da questão ainda permanece em aberto.

A visão científica da dinâmica da liderança tem vindo a evoluir, principalmente nos últimos tempos. Pelas razões que já se sabe, a aceleração das variáveis e do contexto das organizações provoca uma preocupação mais consciente com todos os factores passíveis de optimizar o comportamento organizacional – o que provoca, por sua vez, a emergência de aspectos que até então estavam mascarados ou que eram simplesmente ignorados.

Não há líder sem seguidores e vice-versa

Ainda que o campo permaneça em investigação acelerada, já é, no entanto, possível afirmar certos axiomas orientadores. Por exemplo: é impossível imaginar uma liderança sem liderados – e, seja de uma natureza mais ou menos informal, a existência de uma dada estrutura hierárquica. Inversamente, é impossível pensar uma organização que se administre sem algum tipo de liderança – nem que seja rotativa ou distribuída, pelo menos.

A aparente simplicidade destes aspectos, em termos teóricos, contrasta com a dificuldade que é, por vezes, instituir um fluxo saudável de interacção entre as partes, nas organizações reais. E uma das razões para este «divórcio» jaz especificamente no ignorar desta verdade: não pode existir uma parte sem a outra.

Portanto, é condição obrigatória de sobrevivência que ambas aprendam a conviver e a apoiarem-se mutuamente, se querem chegar ao máximo da sua própria eficiência e eficácia – afinal, foi para isso que todos se organizaram como grupo, inicialmente: maximizar eficiências e eficácias individuais.

Gestores e Líderes podem não ser a mesma pessoa e entrar em conflito aberto

Como acima dissemos, é importante distinguir a liderança da gestão: um gestor é um líder formal, estipulado pelo organigrama, a que todos pertencem na organização. No entanto, esta liderança formal, como já referimos, pode não coincidir com a verdadeira liderança. Muitas vezes, justamente, não coincide – e reside aí o grande desafio para muitos dos que gerem pessoal.

É por isso que a liderança é, ainda hoje e ao fim deste tempo todo, um tema absolutamente quente e de relevância para uma área como a da Comunicação Empresarial. Pensemos um pouco sobre as diferenças de monta entre estes dois papéis, o de gestor e o de líder:

Logo para começar, e ao contrário do que se possa pensar, a gestão é mais abrangente que a liderança, pois esta está incluída naquela. As quatro funções clássicas de um gestor (originalmente designado como “administrador”), desde Henri Fayol, na sua “Teoria Geral da Administração” (1916), são Planear, Organizar, Dirigir e Controlar.

Henri Fayol, o primeiro a indicar as funções clássicas da gestão

Henri Fayol, o primeiro a indicar as funções clássicas da gestão

Planear representa isso mesmo: face a objectivos estabelecidos, arquitecturar-se uma estratégia, um plano.

Organizar é alocar existências (matérias-primas, pessoas, espaço, maquinaria, capital, etc) a determinadas funções; às pessoas, em particular, atribuir papéis, poderes, responsabilidades – gerar a hierarquia, traduzida no já referido organigrama.

Dirigir prende-se especificamente com as pessoas e refere-se a todas as estratégias possíveis para despoletar determinadas acções, para que, através do plano definido e das existências anteriormente organizadas, se atinjam os objectivos propostos. Implica determinar, influenciar, afectar o comportamento dos outros.

Controlar, o quarto e último ponto, é uma parte do trabalho do gestor que está relacionada com todo o esforço de avaliação do desenrolar do desempenho da organização, procurando determinar falhas atempadamente, activar planos de contingência em casos de desvio, e, acima de tudo, arrecadar histórico para futuros planeamentos – aprender com os desvios.

Mas voltando ao terceiro ponto, “Dirigir”, incluem-se nele, ainda, três sub-tópicos: motivar, comunicar e, finalmente, liderar. Como uma organização é, antes de mais, as pessoas que fazem parte dela, ainda que este seja apenas um pequeno aspecto de todo o trabalho do gestor, ele acaba por ser um factor altamente determinante do seu sucesso ou do seu fracasso. Daí a ênfase nesta questão já acima referida.

As quatro funções clássicas da gestão (planear, organizar, dirigir - comunicar, motivar e liderar) não são estanques e fluem umas nas outras

É claro que estas funções não são estanques e fluem umas nas outras. É por essa mesma razão que os outros dois sub-aspectos do campo Dirigir, a Motivação e a Comunição, têm-se tornado tão fulcrais, a ponto de se autonimizarem da teoria geral da Gestão, para se integrarem, noutras novas ciências, como, por exemplo, a Comunicação de Liderança no campo da Comunicação Empresarial.

Assim, “gestão” e “liderança” não são sinónimos. Na realidade, há aspectos em que a matéria de que estas duas naturezas são feitas chega a ser contraditória. Por exemplo: enquanto um gestor está orientado para a prossecução da máxima eficiência, estabelecendo um padrão de comportamento que, a partir do momento em que é descoberto como o melhor, passa a ser implementado – portanto, alinhado com a ideia de estabilidade, de contínuidade – o líder é mais orientado para a mudança, para a ruptura e para a novidade.

Mais além, o gestor organiza a realidade, como dissemos, em termos de existências versus objectivos, o que implica as noções de orçamento disponível e capacidade humana como factores determinantes; o líder é um elemento ancorado no seu aspecto inspiracional, centrado numa determinada ideia, uma determinada visão, de que imbuí os seus seguidores.

Lider inspiracional

O fulcro da questão é este: um gestor tem subordinados. Um líder tem seguidores. Uns obedecem; os outros, como o próprio nome indica, seguem. Isto faz toda a diferença. Enquanto o primeiro tem pessoas coerciva e racionalmente ligadas a si – por exemplo, através de um contrato de trabalho vinculativo por lei a ambas as partes – o segundo tem pessoas que a ele se associam emocional e voluntariamente.

A questão que se prende, antes de mais, é se você é um gestor de existências ou se, para além disso, pode ser tido como um líder. Deixe-me os seus pensamentos nos comentários.

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