Trabalho de Hércules

Algumas das funções de um profissional da área da Comunicação Empresarial

 

O primeiro objectivo com que criei este blogue foi dar a conhecer aos meus leitores o que é a Comunicação Empresarial. Conforme vamos avançando, o âmbito vai ramificando-se cada vez mais, consoante mais e mais perfis diferentes de leitores vão começando a interagir com a matéria aqui exposta e a própria matéria se vai descortinando, revelando as implicações que outras áreas trazem até ela.

Algo que ressalta cada vez mais a quem até aqui não conhecia a área da Comunicação Empresarial é o quanto esta é exigente e definitivamente uma carreira a que nem todos poderão aceder ou por ela deverão optar.

Ser consultor de Comunicação exige um perfil muito específico, que combina capacidades muito diversas entre si, fazendo do profissional desta área um verdadeiro Hércules, com mais do que apenas 12 trabalhos para concretizar.

Tal como o monge Zen, o consultor de Comunicação Empresarial é o ponto médio entre os diferentes extremos.

Ser consultor de Comunicação exige um perfil muito específico, que combina capacidades muito diversas entre si, fazendo do profissional desta área um verdadeiro Hércules, com mais do que apenas 12 trabalhos para concretizar. Senão, veja-se:

Até agora temo-nos concentrado apenas no lado mais concreto da entidade. Do ponto de vista mais operacional, portanto, temos vindo a definir nos últimos meses aquilo que se pode designar por Realidade Organizacional, como ponto de partida para todo um trabalho subsequente.

A sondagem da Realidade Organizacional faz-se no momento presente, mas também, no caso das organizações com um histórico, no passado.

Um clima de confiança mútua é essencial.

A sondagem dessa Realidade Organizacional faz-se no momento presente, mas também, no caso das organizações com um histórico, no passado. Existem várias ferramentas que nos permitem avaliar o estado presente de uma dada entidade:

Do ponto de vista do passado, existem também várias estratégias que podemos seguir:

  • anamnese (entrevista retrospectiva)
  • pesquisa dos registos da empresa
  • pesquisa de ecos da empresa nos media

Todas estas estratégias podem usadas nas mais variadas combinações, entre si. A escolha das ferramentas que serão utilizadas para cada caso dependerá quer da sensibilidade do consultor de comunicação, quer da natureza da organização e os objectivos em particular para os quais se está a trabalhar em dado momento. Quanto mais experiência o consultor tiver, melhor será, naturalmente, a sua ponderação sobre estas escolhas.

Andrea del Sarto diz "Less is more"

Andrea del Sarto diz “Less is more”

À partida, diríamos que quantas mais estratégias forem usadas, melhor. Porém, nem sempre isso é praticável, quer pelos custos, quer pelo tempo envolvido. Uma catalogação detalhada destes elementos implica sempre um certo grau de interferência com a própria realidade organizacional e o ritmo de trabalho – o que corresponde sempre a um determinado custo de oportunidade – para já não falar dos honorários dos profissionais directamente eventualmente envolvidos na pesquisa.

O tempo que uma investigação profunda exige pode não se justificar para uma situação concreta, também. E não podemos esquecer que as pessoas tendem a romantizar o passado, bem como a alterar o seu comportamento quando se notam observadas (efeito Hawthorne).

Operárias da fábrica de Hawthorne

Operárias da fábrica da Western Electric Company, em Hawthorne

Por isso, a intervenção de um consultor de comunicação deve permanecer o mais discreta possível. Mais ainda, neutra. Numa entrevista, por exemplo, convém  que o entrevistador procure equilibrar a empatia necessária para permitir ao entrevistado expressar-se com desenvoltura, mas mantendo sempre uma postura acrítica, sem tomar partidos ou deixando demasiado espaço para se entrar em questões demasiado detalhadas, concretas e até, pessoais.

Isto requer profundas capacidades interpessoais, nomeadamente comunicacionais. É um equilíbrio delicado, que exige da parte do entrevistador orientar a entrevista para informação útil – informação que pode ser utilizada e que não redunde em trivialidades ou frivolidades – sem que o entrevistado se sinta condicionado ou invadido.

O entrevistador deve orientar a entrevista para informação útil – informação que pode ser utilizada e que não redunde em trivialidades ou frivolidades – sem que o entrevistado se sinta condicionado ou invadido.

De modo semelhante, pede-se não só um bom olho clínico para encontrar informação relativa à entidade nos media e nos registos da própria organização, como igualmente que esse olho seja crítico e que determine com destreza a informação que será relevante, isto é, uma capacidade de observação que consegue, mais do que extensivamente arrecadar dados, extrair conhecimento e tendências.

É por isso que o clipping (normalmente associado apenas à recolha de dados mediáticos relativos a uma dada entidade mas que pode ser extrapolado para outras áreas, como orientar a pesquisa para as notícias referentes ao próprio sector de actividade, aos concorrentes, etc) terá sempre um papel importante para a entidade definir-se a si mesma, aos seus detractores e aliados e a posição que ocupa no seu contexto.

Só existe informação a partir do momento que haja quem consiga tirar sentido do que é aparentemente caótico, os dados.

De igual modo, o data mining (actividade de extracção de tendências de bancos de dados – data warehouses – cada vez maiores, ao ponto de actualmente se falar cada vez mais em big data) é uma actividade cada vez mais interessante, quer para profissionais de Marketing, quer para profissionais de Comunicação e das restantes áreas conexas.

Certas ferramentas, como o Google Trends, permitem-nos por exemplo, perceber a intensidade com que determinados termos são procurados nos motores de busca na internet. As hashtags (#) do Tweeter, do Google + e agora, até do Facebook, conseguem dar-nos indicações dos temas que interessam aos nossos públicos, permitindo-nos caracterizá-los psicologicamente de uma formas mais profunda, quer em termos actuais, quer em termos evolucionais, quando fazemos uma análise retrospectiva.

Toda a informação colectada poderá ser armazenada, mas deve sempre ser vertida num dossier, regularmente actualizado, que coloca toda esta informação em contexto, mas mais importante ainda, como dissemos, interpreta a mesma. Isto requer um esforço consciente, regular e disciplinado.

Numa organização, são variados os papéis que um gestor de comunicação deve exercer.

A lista de caminhos, como se pode ver, é bastante extensa. Porém, a estratégia que escolhermos terá de ser sempre ponderada por uma noção de equilíbrio subjacente a cada escolha entre o que será útil para mim saber e aquilo que posso procurar saber.

Quando opto por um canal de investigação e nele concentro parte da minha capacidade, será importante que compreenda por que o faço; de igual modo, se prescindo de uma fonte ou se decido ignorar determinados dados, é absolutamente necessário que eu tenha boas razões para o fazer.

Toda esta informação poderá ser armazenada, mas deve sempre ser vertida num dossier, regularmente actualizado, que coloca toda esta informação em contexto, mas mais importante ainda, como dissemos, interpreta a mesma. Isto requer um esforço consciente, regular e disciplinado. A vantagem é que conforme se cria documentação desta natureza, se ela for bem consumada, as pesquisas futuras tornam-se mais fáceis, pois já há uma noção daquilo de que se parte.

Só 12 trabalhos, caro Hércules?

Só 12 trabalhos, caro Hércules?

Leitor(a): das várias características que apontei, quais é que acha que fazem parte das suas mais-valias? Quais é que acrescentaria (ou retiraria) ao perfil de consultor que defini?

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