Pressupor não é feio – é simplesmente natural

Qual é o impacto dos pressupostos nas dinâmicas organizacionais? Saiba-o no artigo de hoje

 

Entre outras características, um bom gestor de comunicação organizacional deve ter algo de detective.

Entre outras características, um bom gestor de comunicação organizacional deve ter algo de detective. Analisar uma realidade organizacional pode não ser tão simples como aparenta. É necessário saber fazer as perguntas certas, relacionar elementos, observar, criar cenários – o que for preciso, para compreender a entidade que temos perante os nossos olhos.

O que temos de mais fácil para observar são os comportamentos. Porém, os comportamentos são apenas a parte mais visível de todo o processo que ocorre dentro de cada um. Antes desses, temos os pressupostos, as atitudes, os valores, o histórico, etc… Todos estes elementos são influentes sobre a forma como a entidade percepciona e processa informação e lhe dá resposta. Assim, os comportamentos, que se traduzem por acções, têm, subjacentes a eles, uma série de elementos conceptuais que lhes dão origem, razão de ser e fim.

O processo de tentativas-e-erros tenta estabelecer, antes de mais, um padrão, do qual se possa extrair uma conclusão, que, por sua vez, pode determinar acções futuras. Se não tivéssemos esta ferramenta, éramos obrigados a tomar uma decisão do zero, a cada nova situação do dia-a-dia. Nem os prosaicos peixes, com uma apregoada memória de cerca de vinte segundos, passam por isso.

O processo de tentativas-e-erros tenta estabelecer, antes de mais, um padrão, do qual se possa extrair uma conclusão, que, por sua vez, pode determinar acções futuras. Se não tivéssemos esta ferramenta, éramos obrigados a tomar uma decisão do zero, a cada nova situação do dia-a-dia. Nem os prosaicos peixes, com uma apregoada memória de cerca de vinte segundos, passam por isso.

Ainda que os Discordianistas digam, com o humor que lhes é característico, que as estrelas não estão unidas por traços para formar constelações, a verdade é que foi baseando-se em padrões de interacção que o homem evoluiu até aos seus actuais dias.

Os dados necessitam de uma inteligência que lhes dê sentido, como as estrelas não estão unidas por traços, para formar constelações.

Os pressupostos, por exemplo, são um sub-produto directo da própria vivência organizacional. Apesar da realidade ser caótica, o ser humano organiza a sua realidade sob os ditos padrões, que lhe permitem estabelecer previsões e, perante estas, expectativas. É a forma como organizamos o mundo e é a partir do qual que determinamos comportamentos mais ou menos automatizados.

Esse conhecimento, que as tentativas-e-erros pretendem perceber, mais não são do que os pressupostos, sobre os quais erigimos o nosso comportamento. Eles não só permitem-nos ter uma resposta mais ou menos imediata a situações do dia-a-dia como se baseiam no que observamos ao longo do tempo ou do que nos foi, pelo menos, confiado no grupo em que nos inserimos (produto, por sua vez, de observações de outros). No fundo, um pressuposto é uma teoria de acção.

Os pressupostos são um sub-produto directo da própria vivência organizacional.Um dos elementos mais interessantes deste processo é a sua circularidade: eu observo a situação, estabeleço um paradigma em que ela encaixe e procuro a resposta que acasalei a esse mesmo paradigma. Encontrado, ele vai dizer-me o que é suposto eu fazer (se a situação for nova, claro, terei de estabelecer o paradigma por tentativas-e-erros).

Retroactivamente, a acção vai alimentar ou enfraquecer o pressuposto, pois, no fundo, ele é revisto a cada nova interacção que temos com o meio. Quanto mais vezes essa teoria for confirmada, mais difícil é ver a realidade para além desse pressuposto.

Essa é a grande contingência do pressuposto: sendo uma teoria de acção, o pressuposto não é uma realidade, mas uma forma de operar, em termos práticos, sobre ela.

É importante reter que pode não ser a verdade – e até as pessoas saberem isso – mas funciona. Pode dizer-se que um grupo define-se pelos pressupostos que veicula.

E no seu caso? Quais são os seus pressupostos? Comente em baixo.

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2 thoughts on “Pressupor não é feio – é simplesmente natural

    • É um processo que é inerente a cada um de nós. A questão é ter consciência que exerce influência sobre a nossa percepção, as nossas decisões e comportamentos, para que possamos ser mais independentes em relação a determinados automatismos.

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